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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Palavra Mínima: Fatima Maia e Luiz Alberto Machado

Luiz Alberto Machado e Fátima Maia apresentam sua produção “não-infantil”

Diogo Braz

       Dia 7 de outubro, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, aconteceu mais uma edição do projeto Palavra Mínima, desta vez trazendo a música de Fátima Maia e a poesia de Luiz Alberto Machado. O projeto, que é realizado pelo Instituto Zumbi dos Palmares (IZP) e a Cooperativa da Música de Alagoas (Comusa), com o apoio de Secult, FMAC, Sebrae, Mucom e Santorégano, vem apresentando ao público uma boa amostra da produção alagoana de poesia e música.

Maia e Machado "para maiores" - Foto de Diogo Braz

Conhecidos no cenário artístico pelos trabalhos direcionados para o público infantil, Luiz Alberto Machado e Fátima Maia tiveram a oportunidade de mostrar o lado mais adulto de suas obras. Foi a primeira vez que Fátima apresentou um show com suas composições “não-infantis” ao público, e parece ter agradado.
Acompanhada por Eduardo Beder no Violão, Caco Vital e Paulinho Keita na percussão e André Barbosa no cavaco, Fátima mostrou canções que flutuaram entre o Baião e o Chorinho. “Meu repertório é formado pelo Xote, o Baião, o Samba, aquela MPB com mais ginga, com mais balanço... Mas eu já compus até Tango e Ópera. Tem muita coisa ainda pra mostrar!” revela a eclética Fátima. Sua inspiração vem do cotidiano “Eu me inspiro nas coisas do dia a dia. Essa música mesmo que eu apresentei hoje, ‘Vovó danada’, surgiu das minhas experiências pessoais, quando eu me vi trabalhando, estudando e desempenhando o papel de avó, percebendo que hoje as vovós mudaram, não é? São momentos da minha vida mesmo. Numa simples caminhada pela praia eu posso observar algo que serve de inspiração pra uma música”, explica a cantora.
Fátima Maia e suas composições cheias de ginga - Foto de Diogo Braz

Animado com o gingado das composições, o público aplaudiu, pediu bis e até cantou os versos de algumas canções, conhecidas de festivais de música no estado. Quando enveredou pelos ritmos nordestinos, a cantora se saiu ainda melhor, botando a audiência para se balançar nas cadeiras do Espaço Linda. O jornalista Erik Maia (que, apesar do mesmo sobrenome, não é parente de Fátima) esteve presente e elogiou. “Foi muito bom, o show tem aquele clima ‘festa na casa da gente’, entende? Eu acho isso fantástico, valeu o registro... E fica aqui a minha cobrança: Vamos gravar esse CD, Fátima Maia! Deu pra ver que as músicas estão todas formatadas, ta tudo pronto! Vamos lá!”, pediu Erik.

Samba, Xote e Baião: diversidade de ritmos - Foto de Diogo Braz
Um pouco nervosa no início da apresentação, Fátima foi se soltando e mostrou que a investida desse seu trabalho nos palcos pode gerar respostas bem interessantes da plateia. Diante da boa recepção das pessoas, a cantora terá de arranjar tempo para se desdobrar entre as canções infantis e seu trabalho para adultos. “Eu fiquei muito feliz com a receptividade do público. Já tinha vindo a outros momentos do Palavra Mínima e estou muito satisfeita e feliz, esse projeto é uma realização muito importante para o artista alagoano. Dia 2 (de dezembro) estaremos de volta, com Luiz Alberto fazendo a música e eu fazendo poesia. Vai ser o momento de mostrar esse meu lado poeta”, adianta Fátima Maia.
Júlio Campos e Carolina Leopardi: Especiais - Foto de Diogo Braz

O show contou com a participação especial do músico Júlio Campos e da cantora Carolina Leopardi, que cantou uma composição sua, intitulada “Dura pra danar”. “Eu tenho assistido os shows do Palavra Mínima e gostei muito de todos. Na primeira vez que eu vim assistir, encontrei com a Fátima, que eu já conhecia antes, e ela me convidou pra fazer essa participação especial. E eu fiquei muito feliz por ela me dar essa chance de cantar uma música minha no show dela dentro do projeto, que é um momento muito fértil dentro do cenário alagoano. Participar de toda essa movimentação é bastante interessante”, afirmou Carolina.

Luiz Alberto Machado e os "amostramentos" transcendentais - Foto de Diogo Braz
 Entre as canções, o público pode escutar um pouco da poesia de Luiz Alberto Machado, em versos que em nada lembram o personagem Nitolino, com o qual Luiz desenvolve um trabalho infantil, que envolve música, literatura e teatro. É uma poesia madura, repleta de filosofia, questões existenciais, amor, solidão e uma dose apimentada de loucura. “Eu costumo dizer que minha produção literária é uma série de ‘amostramentos’ transcendentais e alguma loucura de uma maldição que talvez caua na minha lucidez, é a minha forma de detectar a minha realidade; e eu trabalho isso: o meu tempo e a minha terra, toda minha produção é voltada para uma reflexão acerca disso”.
Poeta de versos extensos, Luiz Alberto vê na palavra não só a forma de se comunicar, mas a maneira que ele encontrou para ser, existir. “Eu vivo brigando com a palavra todo dia e na maioria das vezes ela ganha”, brinca. “Eu me satisfaço com o pouco que eu consigo reunir dentro do processo de criação, dentro da forma de se dizer alguma coisa, e é preciso se dizer alguma coisa, como aquele texto bíblico diz: ‘A boca fala do que está cheio o coração’, então quando o coração está cheio, é preciso recorrer à palavra para decodificar a realidade, que visão nós temos da nossa transcendência e da nossa imanência. E se a palavra for mínima é melhor ainda: simples, suscinta e direta.”, resumiu o poeta.

Luiz Alberto no domínio do palco - Foto de Diogo Braz

Com vasta experiência de palco, Luiz Alberto serviu também como uma espécie de mestre de cerimônias da noite, declamando as poesias, apresentando as canções de Fátima e explicando as intersecções entre a sua poesia e a música de Fátima. Suas declamações tinham um quê de dramaturgia, a voz cheia de noção cênica carregava as emoções das palavras, o que acabou incitando uma resposta boa do público presente.
Ao final do espetáculo, o poeta comemorou. “Hoje eu também fui platéia. Eu recitei uns poemas, mas eu sabia que a Fátima Maia precisava dessa oportunidade. Eu já conhecia o trabalho dela e já sabia que é muito legal... não só eu, mas um bocado de gente como o Quinteto Violado já conhecia. Mas ela nunca tinha tido oportunidade de levar essas canções para o palco, e isso pra mim foi uma felicidade, pois ela ainda me colocou como diretor do espetáculo. E eu sou um fã, um admirador do trabalho dela, então isso ainda ficou mais legal, foi uma festa”, elogiou Luiz Alberto.
A dupla ainda subirá ao palco do Espaço Linda Mascarenhas no dia 02 de dezembro para apresentar novo espetáculo pelo projeto Palavra Mínima, dessa vez mostrando a música de Luiz Alberto Machado e a poesia de Fátima Maia. Resta agora aguardar novamente pela dupla, em funções diferentes.

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