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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Palavra Mínima: Gal Monteiro e Deyves - Divulgação

Palavra Mínima traz Gal Monteiro e Deyves para o palco do Linda Mascarenhas

Diogo Braz com informações da Comusa

O Projeto Palavra Mínima, já aprovado pelo público, chega a sua quarta apresentação nesta sexta, dia 23, trazendo ao palco do Espaço Cultural Linda Mascarenhas a música de Deyves e a poesia de Gal Monteiro.
Uma realização do Instituto Zumbi dos Palmares (IZP) e Cooperativa dos Trabalhadores da Música de Alagoas (Comusa), o Palavra Mínima se propõe a apresentar uma interação natural entre música e poesia, fazendo dessas duas linguagens uma única expressão. O público tem aprovado a “mistura”, comparecendo de fato para conferir e prestigiar os artistas da terra.
Na próxima sexta, o público poderá conferir não somente duas apresentações num mesmo palco, mas a interação artística entre Deyves e Gal Monteiro num só espetáculo. Os dois já são parceiros de longas datas, o que promete tornar a apresentação ainda mais fluente e interessante.

Deyves

DEYVES
Músico, violonista, compositor e também artista plástico (o cenário do projeto foi feito por ele), Deyves tem como marca o ecletismo. Sua produção musical transita com desenvoltura entre Blues, Reggae, Xote, Chorinho, Samba, Coco, Baião, e tem presença habitual em festivais de música: teve músicas selecionadas em seis edições do Femusesc e foi finalistas de inúmeros festivais universitários de música, tendo ficado em terceiro lugar com a composição “Mundaú-mulher”, e em primeiro lugar com a canção “Puridos Táticos de uma Paixão Volátil”, uma parceria com Gal Monteiro.  
Gal Monteiro

GAL MONTEIRO
Jornalista, radialista, compositora, cantora e poetiza: também são diversas as facetas de Gal Monteiro. Nesta sexta, ela irá apresentar um pouco da sua produção literária, já premiada. Gal foi vencedora do Prêmio Alagoas em Cena 2006 na categoria Literatura – Contos com o seu primeiro livro “Se eu calar você me esquece, se eu contar você me abraça”. No espetáculo, Gal também vai mostrar sua produção poética intimista, uma chance do público se deparar com um universo de muitas emoções durante as leituras.

SERVIÇO
Vale a pena conferir, nesta sexta, dia 23: Palavra Mínima com Deyves e Gal Monteiro, às 20hs, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas. Realização: IZP e Comusa. 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Guacamole: Divulgação

Companhia Ozinformais estreia espetáculo com tempero mexicano

Diogo Braz

            Neste sábado, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, o público poderá, literalmente, deliciar-se com a nova peça da Companhia Artística Ozinformais. Trata-se de Guacamole, montagem que conta a história de duas pessoas que se encontram no mundo dos sonhos e vivem descobertas e trocas que lhes marcarão a vida.
            A peça é um mergulho atemporal no universo da mente humana e busca despertar a reflexão sobre a vida. “Embora seja um texto que fala da solidão e dos sonhos, a história é extremamente apaixonante. Ele vai mexer com os sentimentos dos seres humanos e esperamos fazer com que as pessoas reflitam sobre a vida e que saiam da peça dando ainda mais valor às pessoas e ao mundo”, comenta Carlos Alberto Barros, que além de atuar juntamente com a atriz Laís Queiroz, é responsável pela direção e co-autor do texto da peça, escrito em parceria com Tatiana Gomes.


Lais e Carlos em divulgação da peça - Foto de Vicente Moliterno

            O ator está ansioso e animado com a estreia, “Nós só vamos ter uma noção mesmo quando estrear, mas estamos muito felizes com todo o processo. É muito louca e complexa essa história de sonho. A gente começou a montar o texto há algum tempo, eu e a Tati, começamos a ensaiar em maio, e esse papel caiu no colo da Lais, que se identificou muito com a temática”, explicou Carlos.
            A dupla ensaiou o espetáculo no próprio Espaço Linda Mascarenhas e já se sente em casa para apresentar um ótimo espetáculo. Uma das curiosidades sobre a peça está no nome: Guacamole, um típico prato da culinária mexicana. “Pode-se dizer que é um espetáculo gastronômico: Guacamole é servida para a plateia”. Então, só nos restar prestigiar e degustar o típico teatro alagoano de qualidade. Guacamole tem estreia neste sábado, dia 24 de setembro, e ficará em cartaz em todos os sábados de outubro, sempre às 20 horas, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, do Instituto Zumbi dos Palmares. A censura é livre e os ingressos custam R$ 10,00. Mais informações, pelo telefone 8841-2071.
             

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

VIII Semana do Administrador Facima - Dia 3

Os três dias da Semana do Administrador da Facima tiveram saldo positivo

Diogo Braz

Depois de dois dias repletos de informações úteis sobre temas urgentes ao meio ambiente, a Semana do Administrador da Facima chegou ao seu último ato sem demonstrar sinais de saturação. Há de se registrar que os participantes pareciam mais animados que nunca para ouvir as palestras e trocar informações entre si durante os intervalos de coffee break. Para o diretor do Espaço Cultural Linda Mascarenhas, Júnior Almeida, “O Espaço está de portar abertas para iniciativas como esta. Ficamos felizes em poder receber um evento tão cuidadosamente organizado e poder contribuir na discussão de uma temática tão interessante como a da sustentabilidade”, comentou.

Participantes trocam informações durante Coffee Break - Foto de Diogo Braz

Para o último dia foram reservadas as palestras dos analistas do IBAMA Mário Daniel Sarmento, para falar sobre questões da fauna, e Marlúcia Cavalcante da Silva, para falar sobre educação ambiental. Entre os participantes, a sensação era de aprovação. Laísa Calheiros Baracho, aluna de Administração, ressaltou a importância de se discutir a preservação do meio ambiente. “Pra mim o evento é de extrema importância, porque atualmente a questão da sustentabilidade não está em pauta à toa, diz respeito ao nosso futuro, não é? Foi um tema bem escolhido porque, apesar de se falar muito em sustentabilidade, a informação ainda é pouca, eu acredito. E a semana está sendo muito boa porque está ampliando nossa visão em relação a isso”, comentou.

Mário Daniel Sarmento falou sobre as questões da fauna - Foto de Diogo Braz

Realmente, se a informação é o primeiro passo para a transformação, então esses futuros gestores tiveram a possibilidade de extraírem a matéria-prima da criação da sua consciência ambiental. O primeiro palestrante da manhã, o analista ambiental responsável pelo Núcleo de Fauna do IBAMA-AL, falou da importância da informação para diminuir os impactos da degradação do meio ambiente. “O que a gente pode fazer para mitigar esses problemas ambientais de fato? Primeiro é a informação! Isso que se fez aqui hoje, essa iniciativa de levar a estudantes de Administração, futuros gestores, essas informações sobre diversas questões ambientais: isso é muito importante. A prerrogativa da sustentabilidade não é somente dos ambientalistas, de quem trabalha diretamente com isso, mas é um problema de todos, porque tudo está ligado à nossa sobrevivência; é a nossa sobrevivência que está em jogo. Quando a gente tira um animal de um ambiente, a gente está provocando um desequilíbrio nesse ecossistema, e quando a gente observa algumas catástrofes naturais, isso nada mais é que o reflexo da nossa estada neste planeta”, alertou o ambientalista.
Em sua palestra, Mário Daniel pode conscientizar os alunos a respeito da importância de se manter preservadas todas as espécies de vida, para manter o equilíbrio ambiental, e alertou que os alunos, como futuros gestores, poderão direcionar os negócios das empresas em que trabalharão em direção à sustentabilidade, por isso da importância deles desenvolverem uma consciência de que é importante cuidar da preservação dos ecossistemas e das espécies que lá vivem.

Marilúcia Cavalcante da Silva falou sobre educação ambiental - Foto de Diogo Braz

A palestra seguinte, da educadora ambiental Marilúcia Cavalcante da Silva, de certa forma, reforçou a fala de Mário Daniel. Para Marilúcia, a educação ambiental deve ter prioridade e ser desenvolvida interdisciplinarmente na construção do conhecimento desde a infância, mas que ela não deve parar por aí, atingindo adolescentes e adultos. “A gente tem de tratar a questão ambiental no ensino e fora dele, isso é um dever de todos, do Governo e da comunidade. Quando se pensa em educação ambiental, fala-se muito em trabalhar com crianças. Isso é importante, mas o adulto também aprende. As pessoas têm de sair do senso comum do seu dia a dia e reelaborar um novo conhecimento. O papel da educação é justamente traduzir para a população todos os termos técnicos, todo aquele conhecimento que está dentro de um grupo fechado, e tornar a informação acessível para que esse aprendizado seja possível, para que as pessoas tenham consciência de que esse (preservar o meio ambiente) é o caminho”.
Na sua fala, a educadora adiantou que o IBAMA-AL está iniciando um projeto para tentar uma lenta abertura da Área de Preservação Permanente de Maceió (Reserva do IBAMA-AL, localizada no bairro da Gruta de Lourdes) para atividades de educação ambiental. Com isso, Marilúcia pretende despertar a atenção de educadores de escolas para a necessidade de um programa interdisciplinar de educação ambiental, onde os temas como os que foram tratados na Semana do Administrador da Facima possam ser trabalhados em conjunto, aproveitando assim o ambiente escolar como palco para a formação da consciência ecológica desde a infância.

Participantes atentos às palestras - Foto de Diogo Braz

Em três dias de evento, a Semana do Administrador da Facima, que ocorreu de 13 a 15 de setembro, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, colheu bons frutos, de forma sustentável. Os membros da organização comemoraram os resultados. “O evento em si foi construtivo porque houve uma interação muito boa dos alunos com os palestrantes do IBAMA, que são pessoas indicadas para passar informações sobre o tema, porque eles trabalham diretamente com essa questão do desenvolvimento sustentável. Isso pode acrescentar muito na carreira dos administradores, todos puderam criar um olhar ambiental, para cuidar do meio ambiente e fazer o possível para interagir com ele de forma positiva”, comentou o aluno de Administração Amaury Barbosa, membro da organização do evento.

Participantes posam para fotos ao final do evento - Foto de Diogo Braz

O professor do curso de Administração da Facima, Gilmar Vieira de Melo, elogiou a iniciativa e o empenho dos alunos. “Esta semana de palestras foi uma coisa bonita e prazerosa de ser feita. São oito anos de realização do evento e pela primeira vez as palestras aconteceram no período da manhã, com a presença de muitos alunos. Nós ficamos muito felizes com isso. Os alunos do quinto e sexto períodos estão de parabéns, eles demonstraram ter conhecimento, habilidade e, principalmente, atitude. Em nome da diretora Ana Paula Nunes e de toda a Facima eu quero agradecer à superintendente do IBAMA, Sandra Menezes, pelo apoio da instituição, e também ao Júnior Almeida pela cessão do Espaço onde a gente pode realizar esta semana tão importante para os futuros administradores desta Alagoas”, congratulou o professor.

Confraternização ao final do último dia de palestras - Foto de Diogo Braz

Encerrada a oitava Semana do Administrador da Facima, o que se pode colher foi a esperança de que os futuros gestores do estado apliquem na prática os conhecimentos que adquiriram ao longo desses três dias, e que possam plantar novas sementes de sustentabilidade por onde passem.

domingo, 18 de setembro de 2011

VIII Semana do Administrador Facima - Dia 2

Semana do Administrador chega ao seu segundo dia ampliando a consciência ambiental dos alunos

Diogo Braz

O segundo dia da oitava Semana do Administrador da Facima começou no mesmo clima da estreia e o tema da sustentabilidade deu o tom das palestras, que aconteceram no Espaço Cultural Linda Mascarenhas. 

Alunos lotam Espaço Linda Mascarenhas para pensar sobre sustentabilidade - Foto de Diogo Braz

O primeiro a falar foi o engenheiro de pesca e analista ambiental do IBAMA, José Paulino Moraes, que mostrou todos os benefícios da atividade pesqueira quando pautada na preservação do meio ambiente e dos recursos naturais. “No futuro da humanidade, a maior oferta de proteína certamente virá dos oceanos. O nosso espaço, daqui a uns cem anos, estará servindo de suporte físico para habitação; as cidades estão crescendo, emendando uma na outra, e o espaço cada vez mais disputado pra agricultura e pecuária, e a gente terá no mar uma grande fonte para proteína, através da atividade de pesca”, prevê Paulino.

José Paulino explicou a atividade de pesca - Foto de Diogo Braz

Daí a importância do administrador, são eles que irão gerir a indústria alimentícia, empresas de aquicultura, empresas que realizam a pesca, e é necessário explorar os recursos disponíveis de uma maneira que preserve a existência desses recursos para as gerações seguintes. O IBAMA tem feito um trabalho nesse sentido, tentando definir o defeso para pesca de algumas espécies, ou seja: definir o período onde a pesca dessas espécies é prejudicial para a sua sobrevivência em seu ecossistema. A tarefa que parece ainda a mais difícil é a conscientização de pescadores e principalmente empresários do ramo alimentício. Daí também a importância de gestores ecologicamente responsáveis: para que haja a manutenção dessas espécies nas prateleiras do mercado, é necessário realizar a sua pesca de maneira sustentável.
Outro alerta feito por Paulino teve a ver com a preservação do ecossistema. “Se você vai pescar uma grande quantidade de peixe, mas desmata uma grande área de mangue, aí você não está fazendo nada, você está gerando um efeito muito desagradável e não vale a pena produzir desse jeito. A pesca não pode ser desenfreada, os recursos estão disponíveis para todos, nós temos de respeitar isso e preservar o ambiente onde esse ‘produto’ vive, para que não haja a sua extinção. Uma pesca sustentável é aquela que atende as necessidades do presente sem comprometer as gerações futuras de também satisfazerem as suas necessidades”.

Futuros administradores durante as palestras - Foto de Diogo Braz

Os alunos aproveitaram bem os conhecimentos adquiridos até então na semana do administrador. “Eu estou adorando as palestras, os palestrantes são bem comunicativos, todos explicam seus temas muito bem. A escolha, tanto dos palestrantes quanto do tema da semana, foi bem feita, não só eu, mas meus amigos de turma também aprovaram”, comentou a aluna do segundo período de Administração Thaísa Carla Albuquerque.
O segundo palestrante foi o analista do IBAMA Nazir de Melo Salman, que falou sobre a importância da preservação das matas e florestas, explicando o que são reservas legais, áreas de preservação e outros conceitos pertinentes à flora do nosso país, alertando também para que os futuros administradores tomem conhecimento das mudanças nas Leis que regem o meio ambiente e o impactos que podem causar nas nossas vidas. “A gente acompanha na mídia que estão querendo fazer alterações novamente no nosso Código Florestal. Por que? Os códigos anteriores falavam o que era proibido, mas somente a partir de 1998, com a Lei de Crimes Ambientais, é que o pessoal ficou, de repente, preocupado de desmatar indiscriminadamente. Existem cláusulas nessa proposta que está tramitando no Congresso Nacional para que os grandes desmatadores, que foram autuados e que hoje estão respondendo por crimes ambientais, sejam isentos desses crimes. Mas claro que uma parte da sociedade não concordou com isso. Quando uma indústria polui um rio, quantos indivíduos são prejudicados? Vários, às vezes milhares. Antigamente isso podia passar desapercebido, mas hoje não podemos deixar que isso aconteça”, comentou o ambientalista.

Nazir Salman falou sobre preservação das florestas - Foto de Diogo Braz

Ainda sobre as florestas, Nazir alertou sobre o ritmo acelerado do desmatamento, principalmente no Norte do país, dando um exemplo claro de como ações equivocadas de gestores podem comprometer o futuro sustentável de um país, afetando a vida de muita gente. “Para povoar o Norte do país, o governo militar incentivou a criação pecuária sob o slogan de ‘ocupar para não entregar’, e isso gerou um desmatamento desenfreado na área da floresta amazônica, hoje ainda difícil de conter”, exemplificou.
Os alunos de administração, no papel de futuros gestores, puderam ter acesso a conhecimentos estratégicos de preservação ambiental, mas principalmente alertas para terem a consciência despertada para questões urgentes. O coordenador do curso de Administração da Facima, Edson Mário de Alcântara Júnior, falou sobre a importância do evento realizado. “A semana do Administrador está sendo de grande valor para os alunos, é a oportunidade que eles estão tendo de conhecer um pouco mais da realidade que envolve o seu ambiente, e isso oportuniza o entendimento do papel do gestor moderno, que é um gestor que deve se preocupar com a escassez de recursos, com a comunidade, com tudo que o cerca, e não ser simplesmente aquele capitalista selvagem, como era pregado antigamente”, elogiou o coordenador.

Consciência ambiental não é somente diferencial de mercado - Foto de Diogo Braz

O segundo dia de palestras e discussões da Semana do Administrador da Facima apresentou diversos conceitos acerca da importância de se preservação da natureza, os alunos parecem ter compreendido a importância e urgência da criação dessa consciência ecologicamente sustentável, não somente como diferencial de mercado, mas para que haja qualidade de vida no futuro.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

VIII Semana do Administrador Facima - Dia 1

Futuros gestores pensam um mundo sustentável e viável

Diogo Braz

Mais do que uma palavra na moda, sustentabilidade, hoje em dia, é um conceito urgente. Infelizmente, ainda vivemos num mundo onde o progresso é guiado pelo acumulo de capital; um mundo que, de modo geral, cresce desordenadamente, sem planejamento ou cuidados que propiciem um ambiente com boas condições de vida para todos.
Apesar de ser tema importante em quase todas as instâncias de nossa sociedade (desde festivais de música até reuniões de líderes de Estado), a sustentabilidade ainda aparece na maioria dos debates com nuances “platônicas”, pois ainda apresenta pouco na prática de nosso dia a dia. Diante de tantas evidências da degradação do meio ambiente, como o aquecimento global, desmatamento de florestas, extinção de espécies, etc, o mundo precisa saber como tirar essa sustentabilidade do plano das ideias e implantá-la realmente na sua vida prática, para preservar o meio ambiente e as condições de vida necessárias para as próximas gerações.


futuros gestores atentos às discussões - Foto de Diogo Braz

Sintonizadas com as urgências ecológicas de um mundo globalizado, as turmas do quinto e sexto períodos do curso de Administração da Faculdade da Cidade de Maceió (Facima), aproveitaram a VIII Semana do Administrador da Facima, com o tema “Sustentabilidade e Meio Ambiente”, para despertar a atenção dos futuros gestores para o assunto. O ciclo de palestras teve início nesta terça, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, e contou com a presença de alunos de Administração e pessoas interessadas em questões ambientais.
Compuseram a mesa de abertura do evento: Ana Paula Nunes, diretora da Facima; Edson Mario de Alcantara Junior, coordenador do curso de Administração da Facima; Alessio Sandro, coordenador de estágio da Facima; Júnior Almeida, diretor do Espaço Cultural Linda Mascarenhas; Sandra Menezes, superintendente do IBAMA em Alagoas; e Armando Lobo, presidente do Conselho Regional de Administração de Alagoas.
A superintendente do IBAMA em Alagoas, Sandra Menezes, apontou a importância do tema. “Os alunos estão de parabéns pela escolha do tema. Sustentabilidade é um assunto atual e que sempre será atual, mas que poucas pessoas querem discutir. O IBAMA está feliz em participar deste debate, pois se nós não pensarmos com sustentabilidade no que estamos construindo hoje não sobrará nada para as gerações futuras”, explicou.
Atentos, os alunos escutavam as falas e faziam anotações em suas pastas, demonstrando atenção e comprometimento com o debate de ideias, enquanto os organizadores, também alunos de Administração, movimentavam-se para que tudo corresse bem. O diretor do Espaço Linda Mascarenhas, Júnior Almeida, elogiou o empenho. “É muito bonito ver a dedicação com que esses alunos organizaram o evento, o Espaço está sempre de portas abertas para parcerias como esta, que trazem reflexões importantes não somente para os dias de hoje, mas que são urgentes para a subsistência no planeta”, comentou.


Armando Lôbo falou sobre as tendências do mercado - Foto de Diogo Braz

Na primeira das duas palestras do dia, o presidente do Conselho Regional de Administração de Alagoas, Armando Lôbo, falou com propriedade sobre a importância da sustentabilidade para o exercício profissional do Administrador. “Na minha época de colegial, aquele livrinho verde de Ecologia não era tão difundido, mas hoje os jovens têm mais consciência sobre o meio ambiente, e devem fazer um link entre sustentabilidade e a gestão; pensar um modelo de gestão sustentável, pois o futuro já está sendo traçado hoje e o aluno não pode esperar para se preparar para ele”, aconselhou.


João de Deus Benício explicou as fontes do Direito Ambiental - Foto de Diogo Braz

O segundo palestrante, o procurador federal João de Deus Benício, coordenador da Procuradoria Federal Especializada junta ao IBAMA em Alagoas, esclareceu didaticamente sobre como o Direito enxerga a questão do meio ambiente, explicando como a Constituição Federal aborda e salvaguarda temas importantes para o meio ambiente; explicando também como outras leis tentam preservar os ecossistemas brasileiros, e como os juristas e doutrinadores têm enxergado o tema nos dias de hoje. A visão de um operador do Direito serviu para que os alunos de administração se enxergassem no papel de gestor, podendo ver como as leis podem ser aliadas de uma gestão que busca na sustentabilidade um modelo de sucesso. “Meu desejo hoje foi mostrar as fontes do Direito Ambiental. Eu, como representante do meio ambiente, não pude perder esta oportunidade de vir aqui passar um pouco do conhecimento das leis sobre um tema tão importante nas nossas vidas para futuros gestores, profissionais que poderão fazer com que o crescimento aconteça de forma sustentável”, comentou.
O procurador também falou sobre como uma gestão pautada na sustentabilidade pode evitar não só a degradação do meio ambiente, mas o desperdício de dinheiro da Administração Pública. “Hoje há pesquisas que mostram que uma má gestão causa os mesmos danos que uma gestão corrupta. A gente observa que obras que não são planejadas de maneira sustentável, como a Transamazônica, por exemplo, geram gastos à Administração Pública, desmatam florestas e ainda não atendem às necessidades”, criticou.


Movimentação em torno da sustentabilidade - Foto de Diogo Braz

Os alunos/organizadores ficaram satisfeitos com o primeiro dia de evento. “Ficamos muito felizes com a abertura de hoje, a parceria com o IBAMA, o fato do IZP (Instituto Zumbi dos Palmares) ter cedido o Espaço, possibilitou que a gente fizesse um evento viável”, comemorou José Carlos Fragoso.
A estudante Caroline Santos explicou o porquê da escolha do tema. “A Administração dentro de uma perspectiva do meio ambiente vai pensar em formas sustentáveis para a gestão, o que acaba sendo um diferencial para o administrador, ter essa formação humanista, não se importando somente com o lucro. Esta Semana do Administrador vai servir para que nós, alunos, possamos observar e debater isso”, analisou.
A diretora da Facima, Ana Paula Nunes, aprovou o trabalho dos seus alunos. “Eventos como este são importantes porque promovem a interação dos alunos de períodos diferentes, a criação de network, além de propiciar conhecimentos, que são adquiridos nas palestras de profissionais gabaritados, sem falar no crescimento pessoal de cada um. Os alunos estão de parabéns pelo envolvimento, pelo trabalho bem feito. Sempre fazemos questão de vir e prestigiar, pois nós apoiamos todos os eventos desse tipo”, elogiou.


Alunos fizeram bonito na organização do evento - Foto de Diogo Braz

A manhã terminou com a sensação de que mais um passo foi dado na direção certa, mesmo que o caminho seja longo, essa renovação de ideias e debates sobre modelos sustentáveis de administração se faz necessário para que haja a preservação da vida no planeta. A VIII Semana do Administrador da Facima ainda terá mais dois dias de programação, cheios de debates, ideias e principalmente: esperança. 

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Lançamento do livro Retrato Escrito, de Vandejer Adrian

O retrato poético de Vandejer Adrian

Diogo Braz

O que move as artes é a sua capacidade de encantar e recrutar jovens e "velhos" para a sua lida. Por isso é impossível que elas se acabem, pois sempre existirá pessoas dispostas a produzir arte, influenciados por ídolos e estilos artísticos dos mais variados. A nova safra de artistas sempre tem um brilho no olhar, uma ingenuidade necessária, para que haja a disposição em produzir. A busca de um estilo, de uma identidade, muitas vezes, é uma jornada interessante onde o artista não se acomoda em um estilo e ousa. A nova safra ousa com mais propriedade, se propõe ao público, quer acima de tudo produzir. E é por isso que a arte nunca vai desaparecer, pois sempre existirão jovens como Vandejer Adrian. Estudante de jornalismo, cristão, poeta que se enxerga como um "jovem velho", artista que produzir porque tem a poesia como uma forma de expressão e que lançou ontem, pela editora Multifoco, o seu segundo livro “Retrato Escrito”, primeiro de poesias.


Vandejer autografa seu Retrato Escrito - Foto de Diogo Braz



No Espaço Cultural Linda Mascarenhas, durante a festa de lançamento, que teve o apoio do Instituto Zumbi dos Palmares, Vandejer explicou seu processo de criação, declamou poemas e cantou algumas de suas incursões pela música, em parceria com o músico Elckson Cardoso. 
O poeta nos concedeu uma entrevista por e-mail, na qual fala com a maturidade e clareza de um "jovem velho" sobre seu livro, sua relação com a poesia e sobre o mercado artístico no país. Vale a pena conferir.

Ascom IZP - Retrato Escrito é o resultado de 4 anos de trabalho. Como se deu esse longo processo de criação?
Vandejer Adrian - Comecei a escrever em 2007, quando assisti a um documentário sobre a vida e a obra de Vinícius de Moraes, que produziu em mim não somente uma admiração e um encantamento, mas um desejo intenso de tentar começar a escrever. É claro que isso não nasce da noite pro dia... A gente não decide ser poeta, se descobre poeta... Eu já tinha meu contato e "amizade" com as palavras. No início, tentava esboçar algo meio filosófico, mas nada que tivesse padrão ou métrica, sabe? Aquilo ainda saía meio "texto", sabe? Não era poema, não tinha ritmo... Mas a paixão por aquilo só se intensificava... Foi aí que eu percebi que precisava buscar mais, conhecer o máximo que pudesse. Aí, li muito Ferreira Gullar, Fernando Pessoa, Quintana; ouvia ainda mais Chico, Caetano, Jobim e o rock dos anos 80. Nessa época também escrevia muito... Acho que a prática, aquele momento também cheio das mais variadas emoções, e as fontes que abundavam em minha infância acabaram produzindo uma obra muito interessante e singular...Retrato Escrito é uma seleção, claro, de todos esses poemas desde 2007 até o final do ano passado... O Quintana disse uma vez uma coisa que me fez rir: "Escreva trinta poemas e publique três" (rs). É mais ou menos por aí... Depois você tem que fazer uma triagem rigorosa, pra deixar meio que a nata, sabe? Deixar um material que aproveite realmente cada página. Os poemas do livro foram muito comentados por amigos meus, alguns deles eu postei no blog (vandejer.wordpress.com) e foram também intensamente procurados. 


O poeta em incursão musical - Foto de Diogo Braz


Ascom IZP - Qual a temática dos poemas, há algum assunto mais recorrente?
Vandejer Adrian – Ta! Esse assunto da temática dos poemas é um pouco complicado quando a coisa diz respeito à poesia em si, e principalmente a uma compilação ao longo dos anos, uma antologia, algo assim... O que eu quero dizer é que cada poema tem sua própria inspiração, sabe? Cada poema se dispõe a falar sobre algo diferente. Você, às vezes, lê dois poemas que nem parecem ter sido escritos pelo mesmo autor. Isso porque a alma humana é plural, é complexa, intensa. A alma humana é capaz de sentir os mais ambíguos sentimentos num mesmo episódio... É capaz de amar e odiar uma mesma pessoa ao mesmo tempo, entende?... (risos). Tem dia que você quer filosofar sobre o amor, por exemplo; já tem dias que você não tá com paciência pra discutir sentimentos, você só quer mesmo aquela mulher ali e agora, sabe? Esse foi um dos problemas que eu encontrei quando fui dar título ao livro, porque livro de poesia não tem início, nem meio, nem fim, não é um livro sobre uma trama. Não, ele é uma expressão, velho... É um som estranho, que hora grita, hora sussurra; hora brada, hora chora... Quando meu editor começou a me pressionar para eu entregar o título do livro, eu pedi a ajuda a uma galera que já me lia no blog e teve alguém que não deu sugestão, apenas falou pra mim assim: "Vandejer, lembre da sua frase quando você disse que é quando o poeta lê o poema que sua alma olha no espelho. Seus poemas são um reflexo de você, uma projeção de tuas visões, de teus devaneios". Eu fui dormir com aquilo na mente, daí que quando acordei o título me veio claramente à mente: "Retrato Escrito".

Ascom IZP - o que você quis passar para os leitores com os seus poemas?
Vandejar Adrian - O que queremos passar para nossos leitores? Bem, esse é um ponto controverso, mesmo entre os maiores poetas, porque alguns acham que a poesia é somente uma expressão desinteressada de quem vai ler, sabe? O cara quer se livrar daquelas emoções e joga aquilo no papel... Outros já acham que não, que aquilo pode ter uma mensagem oculta, não sei... Acho que tem um pouco dos dois... Tem poema que é somente uma expressão mesmo... Agora é evidente que na grande maioria deles, há a curiosidade de saber como as pessoas vão reagir àquilo... Eu diria que, em linhas gerais, eu expecto que meus leitores tenham um contato estético com a poesia, com o belo, com emoções que nós temos em comum e que talvez eles nunca expressaram. O Quintana diz que quando a gente gosta de alguma idéia, aquela idéia era da gente já, só que em nós estava nua e a gente encontrou ela vestida. (risos). Talvez seja isso mesmo, muitos leitores meus já falam que encontram-se em meus versos... Eu meio que vesti mesmo as emoções deles com a roupa da poesia.... 

Ascom IZP - Seu primeiro livro tem uma temática cristã. Qual o papel da religião na sua obra poética?
Vandejer Adrian - Cara, essa é uma pergunta ótima. Veja bem, a pergunta foi formulada corretamente quando você diz que a temática é cristã, e não evangélica ou católica. Quando falo que o primeiro livro foi cristão, é porque quero ligá-lo aos ensinamentos e à vida de Jesus. Mas não tenho nenhuma pretensão de tê-lo ligado à qualquer movimento religioso. Nesse sentido, sou um crítico da religião cristã e de como os homens a construíram (em diversas vezes diferente do que Jesus ensinou). Sou intimamente ligado em crença, fé e amor à pessoa de Jesus de Nazaré. Eu coloquei nos agradecimentos do livro assim: "E ao Senhor Jesus, cujo nome rabiscado num papel foi a mais fina poesia que já li". O Leonardo Boff fala uma coisa interessante, ele diz: "Tão humano assim, só podia ser Deus..." É claro que desse amor e dessa fascinação acabam brotando versos. Há sim então alguns poemas dedicados a Jesus, muitíssimo embora não seja nem de perto a temática central do livro. São três ou quatro poemas cristãos, por assim dizer... Lembrei agora do Quintana (pra citá-lo de novo, rs) que dizia: "Todo bom poema leva a Deus" (rs). 


Público compareceu para prestigiar o poeta - Foto de Diogo Braz


Ascom IZP - Quais são as principais dificuldades para um poeta em Alagoas publicar seu livro e buscar seu lugar ao sol?
Vandejer Adrian - Meu amigo, as dificuldades são todas. As coisas no Brasil são muito complicadas para novos autores. O mercado é fechado. As pessoas não consomem poesia. Eu batia um papo com meu editor, lá do Rio de Janeiro, e ele (que é escritor também) me dizia: "Vandejer, reúna 50 amigos seus e pergunte a eles qual foi o último livro de poesias que eles compraram..." Aí eu respondi a ele que se dois ou três tivessem resposta a essa pergunta, eles teriam comprado Drummond, Vinícius, Cecília, sabe? Quer dizer, novo autor no Brasil praticamente não tem espaço. O brasileiro não lê, poesia muito menos. É bom que isso fique bem claro, não há aqui uma cultura de valorização do ouro da terra, sabe? Eu componho também com Elckson Cardoso, grande amigo meu. Elckson é um talento enorme para compor, para música e tudo o mais. A gente deu uma palhinha no lançamento do livro, o pessoal ficou encantadíssimo... Mas estamos no anonimato, sabe? As editoras, em consequência disso, acabam também fechando-se para publicar novos autores, porque vai vender pra quem? A Editora Multifoco é quem, no Brasil, tem tentado revolucionar isso, procurando se dedicar também com especial carinho a novos autores. Eu descobri-os (ou eles me descobriram, rs) e a gente travou um contato bem legal, eu mandei o original do meu livro para avaliação deles. Essa avaliação demorou 90 dias, e eles aprovaram, gostaram muito, tal... Indico para a galera que está tentando começar... No entanto, devo advertir: A maior dificuldade não é publicar, mas vender. 


Elckson e Vandejer  apresentando canções em parceria - Foto de Diogo Braz


Ascom IZP - Por que fazer poesia, por que escrever? o que é que te motiva?
Vandejer Adrian - Minha vida é centrada em poesia. Escrevo e leio muito. Tem um verso meu dum poema-mosaico que eu falei: "Eu escrevo poemas porque o rio sempre flui...". Entende? Não é algo que eu sente pra fazer, é algo que tão somente vem... Não importa onde, eu não escolho. A inspiração apenas me acomete, me ocorre. Escrever poesia não é algo do fazer, é algo do ser. Você não faz aquilo, você é aquilo, tá compreendendo? Gosto dessa coisa da caneta no papel, sabe? Não consigo fazer poesia digitando, nem eu sei por que, rs... Talvez eu tenha nascido no século errado, rs... Mesmo que eu nunca lançasse nenhum livro, ainda assim escreveria. Certo é que a poesia nasce da vida, das emoções vividas intensamente, e de uma musa (risos), sempre tem que ter uma musa...

Ascom IZP - O que você espera alcançar com o livro? Quais são os planos para ele agora, depois de lançado?
Vandejer Adrian - Eu vou lançá-lo no Rio de Janeiro agora no final do mês, na sede da Editora Multifoco, lá na Lapa. Dou um conselho pra você que não comprou o livro: Compre! E outro conselho pra quem já comprou o livro: Empreste-o. Acho que o trabalho maior é agora da divulgação... De minha parte, também acho meio chato essa coisa de estar correndo atrás pra vender, sabe? De todas as mendicâncias, as duas piores são a do amor, e a do artista. Acho que o artista tinha que se concentrar em produzir e reproduzir, sabe? Mas isso é mais pra frente em nossa realidade, rs... Tenho um longo trabalho de divulgação, eu sei, e pretendo honrá-lo. A recepção das pessoas foi maravilhosa, né? Pessoal todo dando aquele calor humano. Muito importante isso. Ao final, muita gente veio falar comigo, dizendo que a noite foi maravilhosa, que eu ia longe, etc... Pessoal ficou muito tocado, entenderam, gostaram bastante, achei maravilhoso... Vieram falar comigo usando palavras como "espetacular", "lindo"... Alguns choraram, foi bem intenso mesmo...



Quem tiver interesse em comprar o livro, pode fazer sua encomenda pelo blog http://vandejer.wordpress.com/ e pelo site http://www.editoramultifoco.com.br/



terça-feira, 6 de setembro de 2011

Noite de sinestesia abre a temporada de "Rojo" no Linda Mascarenhas

Coletivo Vermelho de Teatro apresenta montagem baseada nas dores e prazeres de Frida e Almodóvar

Diogo Braz

Se as emoções um dia foram tinta espalhada nas telas de Frida Kahlo ou as lentes e películas de Almodóvar, também são os tomates dilacerados no corpo das atrizes de Rojo, montagem cênica do Coletivo Vermelho de Teatro que está sendo encenada no Espaço Cultural Linda Mascarenhas aos sábados de setembro.
Fruto de um projeto de pesquisa de residência artística do NACE – Núcleo Transdisciplinar de Pesquisa em Artes Cênicas e Espetaculares da UFAL, Rojo foi criado e montado de forma colaborativa, ou seja: todos os participantes tiveram oportunidade de contribuir em todas as instâncias do espetáculo, da trilha sonora ao figurino, passando pelo texto à encenação. A montagem teve orientação da Professora Doutora Nara Salles e hoje parece caminhar com as próprias pernas, convidando o público para um mergulho profundo num universo baseado na vida e obra de Frida Kahlo, na estética cinematográfica de Pedro Almodóvar e nas teorias do teatro pós-dramático de Hans-Thies Lehmann.

Foto Larissa Fontes

 A montagem

Ao contrário do que alguém possa pensar, o processo de montagem não foi simples. “Dois ex-alunos tinham o intuito de fazer mestrado na UFRN e chamaram a Profª Drª Nara Salles para fazer um grupo de estudo. Ela achou que a proposta casava com um projeto do PIBIC (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica) que ela tinha em andamento com uma outra aluna. Aí o que seria um solo acabou reunindo trinta pessoas. A gente foi pesquisando sobre a vida e obra dos artistas, assistimos a toda a filmografia de Almodóvar, estudamos o teatro pós-dramático, processo colaborativo e fizemos treinamentos físicos, pois o teatro pós-dramático é muito energético, exige muito do físico. Nós nos dividimos em núcleos e começamos a criar coletivamente o espetáculo. Todo esse processo durou cerca de um ano até a primeira apresentação”, explica a atriz Joelle Malta.
A atriz Charlene Sadd explica um pouco dessa metodologia colaborativa “A estética desse trabalho se constitui a partir de dois referenciais, pensando nas cores e efervescências, um pouco da loucura e destempero que Frida traz para suas pinturas e na ironia e humor picante do Almodóvar. Mas, como é uma obra colaborativa, cada um traz um pouco de si também e a partir daí a gente constrói as nossas ações. E o teatro contemporâneo quebra um pouco da parede entre o público, então a intenção é que eu tenho algo que eu quero compartilhar e se alguém do público me retribuiu, eu também posso responder a essa ‘moeda devolvida’. O público então é também um participante do espetáculo”, explica.
Depois de algumas mudanças nos integrantes da peça, Rojo hoje é: Lais Lira, Jonatha Albuquerque, Joelle Malta, Charlene Sadd, Thiago Souza, Patricia Vieira, Daniela Beny, Gemma Galgany e Mary Vaz no elenco; Karina May, Pâmela Guimarães e Laís Queiroz na técnica; e André Cavalcanti e Natalhinha Marinho na trilha sonora.
Sob a influência conceitual e estética das obras da pintora mexicana e do cineasta espanhol, Rojo é, além de tudo, uma experiência sensorial, onde todos os sentidos do espectador são estimulados.

Os sentidos

Audição: A intensidade com que os textos são falados pelos atores, às vezes sussurrados próximo do espectador, uma voz distante, em todas as direções do hall do Espaço Linda por entre o público proporciona uma experiência interessante aos ouvidos.  A trilha sonora do espetáculo tem trechos executados ao vivo e efeitos sonoros que dão um ambiente intrigante à montagem. Para o músico André Cavalcanti, participar de Rojo foi inovador. “Para o músico que toca em banda, esse processo de teatro e música é bem diferente do sistema de banda. A gente vai seguindo as orientações e acaba colocando um pouco de si na produção também. Eu estou gostando desse sistema”, explica.
Paladar: durante o espetáculo, o público pode experimentar uma espécie de bebida inspirada no Gaspacho, prato típico da culinária ibérica à base de tomate. O sabor da iguaria é mais uma amostra da pluralidade da peça: gelado, picante, meio amargo e com leve teor alcoólico.
Olfato: o cheiro dos tomates, do perfume das atrizes que circulam quase todo tempo próximas à plateia também são elementos que constroem o universo de Rojo.
Tato: os atores interagem com o público, não há medo do contato físico. Já no início, na porta do Espaço, os próprios atores conduzem o público pela mão até seus assentos. Os espectadores também interagem com o cenário, podendo ficar com os pés dentro da água de uma piscina montada no centro do Hall do Linda Mascarenhas.
Visão: sem dúvidas é o sentido mais estimulado. Quase tudo em Rojo desperta a atenção dos olhos, desde a sensualidade dos figurinos e dos gestos, as projeções de imagens nas paredes, até a iluminação, que cria um ambiente atraente e sensual.

Foto Larissa Fontes

Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é

A sensualidade, aliás, é um dos pontos chaves de Rojo, até mesmo em cenas em que as sensações de sufocamento ou incômodo físico das atrizes poderiam ser recebidas pelo público com certa repulsa, o contexto sensual da peça cria justamente o efeito oposto, atraindo a atenção e o olhar voyeur do espectador. A cena dos tomates, quando as atrizes explicam por que ser ou não uma mulher de Almodóvar, é talvez a mais sensual do teatro alagoano. Não se trata de uma sensualidade apelativa, mas sim de um elemento fundamental na vida e obra de Frida e Almodóvar, que é trabalhado com primor pelo Coletivo Vermelho de Teatro.
Como consta no release da montagem, “Rojo parte da ideia de que a compreensão do mundo através da arte acontece não só por meio de uma leitura visual, auditiva ou tátil, mas de sinestesias”, e a todo o momento o público é estimulado a perceber o universo desses dois artistas primeiramente pelas sensações. O jornalista Fernando Coelho define bem o espetáculo. “Eu gostei muito, eu acho que só em trazer esses dois universos estéticos e conceituais de Frida Kahlo e de Almodóvar, isso já é uma promessa de despertar grandes emoções. E o Rojo trabalha nessa dualidade da dor e do prazer, eu acho que quem está assistindo consegue entrar em reflexões e sensações sobre esses dois pólos”, explica.
As encenações conseguem realmente despertar as emoções a que se propõem: a dor, a paixão, o sofrimento, a neurose e a sensualidade presentes na vida de Frida e o humor, a ironia e o sarcasmo provocativo dos filmes de Almodóvar podem ser vistos encarnados nas atrizes e atores, que realmente dão um show de interpretação.
O público, limitado à média de 30 pessoas por apresentação, interagiu com o espetáculo e deixou o Espaço Linda Mascarenhas satisfeito. “Eu acho importante pra cidade ter uma movimentação nessa área cênica, com uma proposta estética mais contemporânea, antenada com linguagens que estão em evidência nesse campo da arte. Parabéns ao Rojo!”, elogiou o jornalista Fernando Coelho.
Com certeza, Rojo é um espetáculo do qual você não conseguirá sair imune, isento de opinião. A montagem tem forte potencial para deixar impressões marcantes no público. Em tempos em que o comum é criar peças que causem somente a agradável sensação de entretenimento, Rojo se apresenta como uma boa alternativa para exercitar a arte de sentir e pensar.
Não deixe de conferir, no próximo sábado, às 20 horas, no Espaço Linda Mascarenhas: Rojo, uma montagem do Coletivo Vermelho de Teatro baseada na vida e obra de Frida Kahlo e na filmografia de Pedro Almodóvar. Entrada: um tomate maduro.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Palavra Mínima - Jan Claudio e Eduardo Proffa

Jan Claudio e Eduardo Proffa apresentam frutos de quase 30 anos de amizade no Palavra Mínima

Diogo Braz

O Projeto Palavra Mínima – uma realização do Instituto Zumbi dos Palmares (IZP) e Cooperativa dos Trabalhadores de Música de Alagoas (Comusa) – tem proporcionado momentos muito interessantes para a cultura do estado. Em sua terceira apresentação, o projeto já conseguiu estabelecer um formato de sucesso, baseado numa interação natural entre música e poesia. Um grande mérito está na escolha das atrações: poetas e músicos que conhecem o trabalho um do outro e acabam sempre construindo um repertório conexo, dando à interatividade das linguagens uma dimensão bem mais profunda que apenas a declamação de poemas entre canções. O perfeito exemplo dessa interação pode ser visto na última sexta (02/09), durante a apresentação de Jan Claudio e Eduardo Proffa, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas.

Público esgotou os ingressos do Espaço Linda Mascarenhas - Foto de Diogo B raz

Os dois são amigos desde o tempo de colégio; serviram juntos ao Exército, quando os laços de amizade se fortaleceram, então desenvolveram uma parceria produtiva no mundo das artes: montaram grupos musicais como o extinto “Nó na Garganta” e passaram a compor música, influenciando um na produção do outro. O resultado disso são canções conhecidas do público que acompanha os festivais alagoanos de música. Jan e Eduardo são figuras habituais desses palcos, tendo se destacado em importantes festivais como o Femusesc, o Femucic, Festival do Sesi, Festival do IZP, entre outros. No decorrer de suas carreiras conseguiram a fidelidade de um público grande, o qual chamam de amigos. Esse público esgotou os ingressos para a apresentação, o que motivou a Comusa e o IZP a realizarem uma sessão extra do espetáculo, que acontecerá na próxima sexta (09/09). “A gente só tem a agradecer pelo apoio dos amigos que vêm nos prestigiando, e a intenção é que a gente consiga atingir mais pessoas. Essa oportunidade que nós teremos na próxima sexta já vai ser um direcionamento para isso: que as pessoas que não conhecem nosso trabalho e não puderam vir antes, venham na sexta pra conhecer”, convida Jan Cláudio.

Química no palco - Foto de Diogo Braz

Quando o espetáculo começa, os dois mostram o motivo dessa mobilização de amigos: Quase 30 anos de colaboração entre dois parceiros na construção de obras acessíveis e de qualidade.

Eduardo Proffa

A trajetória e a produção artística do poeta Eduardo Proffa se confunde com a música. Poeta e compositor, Proffa viu na música um veículo para seus versos. “O que eu gosto de fazer é poesia, e na música eu descobri um caminho para mostrar a minha poesia. E foi a partir daí que eu comecei a enveredar por esse caminho, mas a ideia principal sempre foi mostrar a poesia através da música, tanto é que, numa parte do show, são apresentados poemas meus que foram musicados pelo Jan nessa nossa longa trajetória de construção de arte”.
Os versos de Proffa têm ritmo que suscita melodia e uma universalidade de temas que possibilita que sejam sentidos com propriedade por diversas pessoas. A maneira com que declama as poesias é quase teatral, criando o clima ideal para serem entendidas.

Eduardo Proffa e seus versos musicados - Foto de Diogo Braz 

Para Eduardo, a importância do projeto é criar público para diversas linguagens da arte. “A poesia é muito legal, ela é livre, é pra todo mundo, mas a visibilidade da música é muito maior que a da poesia. Então, quando a gente tem um projeto como este, que intercala poesia e música, as pessoas podem ver que as duas são uma coisa só. O IZP e a Comusa estão de parabéns por esse trabalho de fomentar público, porque quando nós trazemos pessoas pra ver nossa apresentação a gente está também fomentando público para outros artistas que se apresentem aqui e vice-versa”, comenta.

Jan Claudio

            Jan é dono de uma voz “macia” e perfeitamente afinada, seu repertório é construído em cima de uma MPB acessível, de melodias com forte apelo radiofônico, com refrões agradáveis que ficam na cabeça, como, por exemplo, em “Linda Sereia”. Em cima do palco, Jan Claudio apresenta uma desenvoltura que não lembra sequer a sombra de um bancário, sua atividade profissional paralela à música. Mesmo com toda a atribulada agenda profissional diária, o cantor arranja tempo para cuidar da carreira e planejar seu disco. “Para lançar um disco existe muita coisa envolvida. Mas, mesmo com essa falta de tempo, eu já estou com um pré-projeto do disco, com seis músicas arranjadas... De repente vai entrar alguma coisa daqui, dos arranjos que fizemos para este show, já que algumas músicas são totalmente inéditas e foram preparadas ao longo dos ensaios para este espetáculo”, revela o cantor.

Jan Claudio e sua MPB acessível - Foto de Diogo Braz

            Jan também enxerga a interação da poesia com a música como um dos méritos do Palavra Mínima. “Esse projeto é fantástico! A gente estava ansioso pra participar, as pessoas também entenderam isso e compareceram, dando um gás a mais pra apresentação, que deu oportunidade pra mim e pro Proffa mostrarmos um pouco da nossa produção em conjunto, um trajeto quase 30 anos colocando as emoções no papel e no violão”.

A apresentação


O entrosamento natural encantou o público - Foto de Diogo Braz

            A apresentação teve como fio condutor a amizade dos dois artistas. O entrosamento entre eles é algo natural, nem poderia ser forçado. Assim como o vinho que estava sobre o palco, a parceria parece ter sido apurada com o tempo, sem se deixar transformar em vinagre. A demonstração de afeto e respeito mútuo deixou sua marca no espetáculo desde os acordes em parceria até quando um se referia ao outro usando a palavra irmão: Palavras têm força, por mínima que seja e essa química proporcionada pela amizade entre Jan e Edurado deu um tom bastante agradável ao show, que contou com os músicos afinadíssimos Nana Villa Lobos (Direção Musical, violões), Mizael Dantas (baixo), Christiaan Klaus (teclado) e Wilson Miranda (percussão) fazendo bonito.  

Time completo de músicos fez bonito no espetáculo - Foto de Diogo Braz

Como se isso não bastasse, o show contou com a participação especial da cantora Irina Costa, que deu um show a parte. Irina tem timbre e presença elogiáveis, apresentou “Literatura de Bordel”, uma música inédita da dupla de compositores, arrancando aplausos do público. “Foi um espetáculo muito bom de se fazer, a música é linda... Na verdade foi um convite inusitado, o Jan me mandou uma mensagem e eu aceitei sem titubear. Depois ele explicou como seria a minha participação e o público vai ter de vir assistir para entender a música e o contexto”, convida. Além de participar novamente do show da próxima sexta, Irina também vai se apresentar no Projeto Palavra Mínima, no dia 4 de novembro: imperdível.

Irina Costa deu mais brilho ao show - Foto de Diogo Braz

O público aprovou a apresentação. “O projeto é ótimo, há essa interação da poesia cantada com a poesia declamada, e o show de hoje, em particular, com a voz belíssima do Jan, a performance da declamação, também: é o casamento perfeito! Harmonia, arte e o amor”, sintetizou a Juíza Ana Raquel Gama, que aplaudiu de pé em conjunto com o público que lotava a Espaço Linda Mascarenhas.
Quem não conseguiu comprar ingressos para assistir ao show, terá nova oportunidade esta sexta, dia 09 de setembro, às 20 horas. Vale a pena!