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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Lançamento do livro Retrato Escrito, de Vandejer Adrian

O retrato poético de Vandejer Adrian

Diogo Braz

O que move as artes é a sua capacidade de encantar e recrutar jovens e "velhos" para a sua lida. Por isso é impossível que elas se acabem, pois sempre existirá pessoas dispostas a produzir arte, influenciados por ídolos e estilos artísticos dos mais variados. A nova safra de artistas sempre tem um brilho no olhar, uma ingenuidade necessária, para que haja a disposição em produzir. A busca de um estilo, de uma identidade, muitas vezes, é uma jornada interessante onde o artista não se acomoda em um estilo e ousa. A nova safra ousa com mais propriedade, se propõe ao público, quer acima de tudo produzir. E é por isso que a arte nunca vai desaparecer, pois sempre existirão jovens como Vandejer Adrian. Estudante de jornalismo, cristão, poeta que se enxerga como um "jovem velho", artista que produzir porque tem a poesia como uma forma de expressão e que lançou ontem, pela editora Multifoco, o seu segundo livro “Retrato Escrito”, primeiro de poesias.


Vandejer autografa seu Retrato Escrito - Foto de Diogo Braz



No Espaço Cultural Linda Mascarenhas, durante a festa de lançamento, que teve o apoio do Instituto Zumbi dos Palmares, Vandejer explicou seu processo de criação, declamou poemas e cantou algumas de suas incursões pela música, em parceria com o músico Elckson Cardoso. 
O poeta nos concedeu uma entrevista por e-mail, na qual fala com a maturidade e clareza de um "jovem velho" sobre seu livro, sua relação com a poesia e sobre o mercado artístico no país. Vale a pena conferir.

Ascom IZP - Retrato Escrito é o resultado de 4 anos de trabalho. Como se deu esse longo processo de criação?
Vandejer Adrian - Comecei a escrever em 2007, quando assisti a um documentário sobre a vida e a obra de Vinícius de Moraes, que produziu em mim não somente uma admiração e um encantamento, mas um desejo intenso de tentar começar a escrever. É claro que isso não nasce da noite pro dia... A gente não decide ser poeta, se descobre poeta... Eu já tinha meu contato e "amizade" com as palavras. No início, tentava esboçar algo meio filosófico, mas nada que tivesse padrão ou métrica, sabe? Aquilo ainda saía meio "texto", sabe? Não era poema, não tinha ritmo... Mas a paixão por aquilo só se intensificava... Foi aí que eu percebi que precisava buscar mais, conhecer o máximo que pudesse. Aí, li muito Ferreira Gullar, Fernando Pessoa, Quintana; ouvia ainda mais Chico, Caetano, Jobim e o rock dos anos 80. Nessa época também escrevia muito... Acho que a prática, aquele momento também cheio das mais variadas emoções, e as fontes que abundavam em minha infância acabaram produzindo uma obra muito interessante e singular...Retrato Escrito é uma seleção, claro, de todos esses poemas desde 2007 até o final do ano passado... O Quintana disse uma vez uma coisa que me fez rir: "Escreva trinta poemas e publique três" (rs). É mais ou menos por aí... Depois você tem que fazer uma triagem rigorosa, pra deixar meio que a nata, sabe? Deixar um material que aproveite realmente cada página. Os poemas do livro foram muito comentados por amigos meus, alguns deles eu postei no blog (vandejer.wordpress.com) e foram também intensamente procurados. 


O poeta em incursão musical - Foto de Diogo Braz


Ascom IZP - Qual a temática dos poemas, há algum assunto mais recorrente?
Vandejer Adrian – Ta! Esse assunto da temática dos poemas é um pouco complicado quando a coisa diz respeito à poesia em si, e principalmente a uma compilação ao longo dos anos, uma antologia, algo assim... O que eu quero dizer é que cada poema tem sua própria inspiração, sabe? Cada poema se dispõe a falar sobre algo diferente. Você, às vezes, lê dois poemas que nem parecem ter sido escritos pelo mesmo autor. Isso porque a alma humana é plural, é complexa, intensa. A alma humana é capaz de sentir os mais ambíguos sentimentos num mesmo episódio... É capaz de amar e odiar uma mesma pessoa ao mesmo tempo, entende?... (risos). Tem dia que você quer filosofar sobre o amor, por exemplo; já tem dias que você não tá com paciência pra discutir sentimentos, você só quer mesmo aquela mulher ali e agora, sabe? Esse foi um dos problemas que eu encontrei quando fui dar título ao livro, porque livro de poesia não tem início, nem meio, nem fim, não é um livro sobre uma trama. Não, ele é uma expressão, velho... É um som estranho, que hora grita, hora sussurra; hora brada, hora chora... Quando meu editor começou a me pressionar para eu entregar o título do livro, eu pedi a ajuda a uma galera que já me lia no blog e teve alguém que não deu sugestão, apenas falou pra mim assim: "Vandejer, lembre da sua frase quando você disse que é quando o poeta lê o poema que sua alma olha no espelho. Seus poemas são um reflexo de você, uma projeção de tuas visões, de teus devaneios". Eu fui dormir com aquilo na mente, daí que quando acordei o título me veio claramente à mente: "Retrato Escrito".

Ascom IZP - o que você quis passar para os leitores com os seus poemas?
Vandejar Adrian - O que queremos passar para nossos leitores? Bem, esse é um ponto controverso, mesmo entre os maiores poetas, porque alguns acham que a poesia é somente uma expressão desinteressada de quem vai ler, sabe? O cara quer se livrar daquelas emoções e joga aquilo no papel... Outros já acham que não, que aquilo pode ter uma mensagem oculta, não sei... Acho que tem um pouco dos dois... Tem poema que é somente uma expressão mesmo... Agora é evidente que na grande maioria deles, há a curiosidade de saber como as pessoas vão reagir àquilo... Eu diria que, em linhas gerais, eu expecto que meus leitores tenham um contato estético com a poesia, com o belo, com emoções que nós temos em comum e que talvez eles nunca expressaram. O Quintana diz que quando a gente gosta de alguma idéia, aquela idéia era da gente já, só que em nós estava nua e a gente encontrou ela vestida. (risos). Talvez seja isso mesmo, muitos leitores meus já falam que encontram-se em meus versos... Eu meio que vesti mesmo as emoções deles com a roupa da poesia.... 

Ascom IZP - Seu primeiro livro tem uma temática cristã. Qual o papel da religião na sua obra poética?
Vandejer Adrian - Cara, essa é uma pergunta ótima. Veja bem, a pergunta foi formulada corretamente quando você diz que a temática é cristã, e não evangélica ou católica. Quando falo que o primeiro livro foi cristão, é porque quero ligá-lo aos ensinamentos e à vida de Jesus. Mas não tenho nenhuma pretensão de tê-lo ligado à qualquer movimento religioso. Nesse sentido, sou um crítico da religião cristã e de como os homens a construíram (em diversas vezes diferente do que Jesus ensinou). Sou intimamente ligado em crença, fé e amor à pessoa de Jesus de Nazaré. Eu coloquei nos agradecimentos do livro assim: "E ao Senhor Jesus, cujo nome rabiscado num papel foi a mais fina poesia que já li". O Leonardo Boff fala uma coisa interessante, ele diz: "Tão humano assim, só podia ser Deus..." É claro que desse amor e dessa fascinação acabam brotando versos. Há sim então alguns poemas dedicados a Jesus, muitíssimo embora não seja nem de perto a temática central do livro. São três ou quatro poemas cristãos, por assim dizer... Lembrei agora do Quintana (pra citá-lo de novo, rs) que dizia: "Todo bom poema leva a Deus" (rs). 


Público compareceu para prestigiar o poeta - Foto de Diogo Braz


Ascom IZP - Quais são as principais dificuldades para um poeta em Alagoas publicar seu livro e buscar seu lugar ao sol?
Vandejer Adrian - Meu amigo, as dificuldades são todas. As coisas no Brasil são muito complicadas para novos autores. O mercado é fechado. As pessoas não consomem poesia. Eu batia um papo com meu editor, lá do Rio de Janeiro, e ele (que é escritor também) me dizia: "Vandejer, reúna 50 amigos seus e pergunte a eles qual foi o último livro de poesias que eles compraram..." Aí eu respondi a ele que se dois ou três tivessem resposta a essa pergunta, eles teriam comprado Drummond, Vinícius, Cecília, sabe? Quer dizer, novo autor no Brasil praticamente não tem espaço. O brasileiro não lê, poesia muito menos. É bom que isso fique bem claro, não há aqui uma cultura de valorização do ouro da terra, sabe? Eu componho também com Elckson Cardoso, grande amigo meu. Elckson é um talento enorme para compor, para música e tudo o mais. A gente deu uma palhinha no lançamento do livro, o pessoal ficou encantadíssimo... Mas estamos no anonimato, sabe? As editoras, em consequência disso, acabam também fechando-se para publicar novos autores, porque vai vender pra quem? A Editora Multifoco é quem, no Brasil, tem tentado revolucionar isso, procurando se dedicar também com especial carinho a novos autores. Eu descobri-os (ou eles me descobriram, rs) e a gente travou um contato bem legal, eu mandei o original do meu livro para avaliação deles. Essa avaliação demorou 90 dias, e eles aprovaram, gostaram muito, tal... Indico para a galera que está tentando começar... No entanto, devo advertir: A maior dificuldade não é publicar, mas vender. 


Elckson e Vandejer  apresentando canções em parceria - Foto de Diogo Braz


Ascom IZP - Por que fazer poesia, por que escrever? o que é que te motiva?
Vandejer Adrian - Minha vida é centrada em poesia. Escrevo e leio muito. Tem um verso meu dum poema-mosaico que eu falei: "Eu escrevo poemas porque o rio sempre flui...". Entende? Não é algo que eu sente pra fazer, é algo que tão somente vem... Não importa onde, eu não escolho. A inspiração apenas me acomete, me ocorre. Escrever poesia não é algo do fazer, é algo do ser. Você não faz aquilo, você é aquilo, tá compreendendo? Gosto dessa coisa da caneta no papel, sabe? Não consigo fazer poesia digitando, nem eu sei por que, rs... Talvez eu tenha nascido no século errado, rs... Mesmo que eu nunca lançasse nenhum livro, ainda assim escreveria. Certo é que a poesia nasce da vida, das emoções vividas intensamente, e de uma musa (risos), sempre tem que ter uma musa...

Ascom IZP - O que você espera alcançar com o livro? Quais são os planos para ele agora, depois de lançado?
Vandejer Adrian - Eu vou lançá-lo no Rio de Janeiro agora no final do mês, na sede da Editora Multifoco, lá na Lapa. Dou um conselho pra você que não comprou o livro: Compre! E outro conselho pra quem já comprou o livro: Empreste-o. Acho que o trabalho maior é agora da divulgação... De minha parte, também acho meio chato essa coisa de estar correndo atrás pra vender, sabe? De todas as mendicâncias, as duas piores são a do amor, e a do artista. Acho que o artista tinha que se concentrar em produzir e reproduzir, sabe? Mas isso é mais pra frente em nossa realidade, rs... Tenho um longo trabalho de divulgação, eu sei, e pretendo honrá-lo. A recepção das pessoas foi maravilhosa, né? Pessoal todo dando aquele calor humano. Muito importante isso. Ao final, muita gente veio falar comigo, dizendo que a noite foi maravilhosa, que eu ia longe, etc... Pessoal ficou muito tocado, entenderam, gostaram bastante, achei maravilhoso... Vieram falar comigo usando palavras como "espetacular", "lindo"... Alguns choraram, foi bem intenso mesmo...



Quem tiver interesse em comprar o livro, pode fazer sua encomenda pelo blog http://vandejer.wordpress.com/ e pelo site http://www.editoramultifoco.com.br/



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