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sábado, 20 de agosto de 2011

Palavra Mínima: Poesia Musicada no Pandeiro e Emanuel Galvão

Pandeiro e poesia se unem para homenagear a palavra

Diogo Braz


      O som do pandeiro guarda uma identidade muito ligada ao poeta popular, aquele mambembe, que parece trazer os versos improvisados na ponta dos dedos. Dedos que, ao tocarem na pele esticada do instrumento, criam o ambiente perfeito para que uma rima se combine com outras e faça viva a palavra em poesia. Os temas do Nordeste, de uma realidade árida e cheia de esperança, parecem encontrar seu lugar junto ao ritmo percussivo, enquanto temas universais ganham uma dimensão particularmente nossa, diante de um som que faz questão de lembrar de onde viemos.




      Quando a banda Poesia Musicada no Pandeiro subiu ao palco do Espaço Cultural Linda Mascarenhas, dentro da programação do Projeto Palavra Mínima, todos esses elementos pareceram se encontrar: a poesia, a sonoridade nordestina, o ritmo do pandeiro, os temas de um universo particularmente nosso. Formada pelo performático Rogério Dias (vocal), Fagner Dübrown (pandeiro e voz), Gustavo Rolo (violão e voz), Tiago Franja (baixo) e Téo Batera (zabumba e voz), o grupo tem uma proposta que se assemelha muito à proposta do Projeto Palavra Mínima: trazer uma mistura de poesia e música, em uma linguagem nova, que não é canção, tampouco declamação: é poesia musicada no pandeiro, como o nome já diz!




         Os cinco rapazes, ,mais duas dançarinas, fizeram bonito. Rogério Dias e Dübrown, em especial, têm química excelente no palco, demonstrando uma conexão natural, como se fossem irmãos nessa arte. Rogério tem uma performance convincente: Declama poesia como quem faz isso há mais tempo do que realmente faz; pode-se sentir emoção na sua gesticulação e em sua voz estridente, típica dos cantadores de coco. Enquanto isso, Dübrown segura o ritmo com precisão, demonstrando conhecer o pandeiro como a palma da mão. O show transcorreu num ritmo interessante, dando espaço para as intervenções do poeta Emanuel Galvão.
        O universo dos versos de Galvão gira em torno das metáforas. Ele brinca com as palavras, dando-lhes sentidos diferentes num ritmo fluente de suas frases. Suas estrofes parecem ter sido feitas para a música, lidas ao som do violão de Gustavo Rolo, elas se adaptavam ao dedilhado com naturalidade. Galvão declamou poemas de seu primeiro livro, Flor Atrevida, que falam, em sua maioria, do amor sensual. Ele ficou contente com a interação com o público. “Para mim, a poesia não está só nos livros, ela está viva quando a gente a declama. É muito bom ver a reação das pessoas, quando a gente lê um poema! Eu fico vibrante com isso. Estou muito contente pelo convite que o pessoal da Poesia Musicada no Pandeiro fez para eu participar do Palavra Mínima, que é um projeto muito bonito. A Comusa, o IZP, estão de parabéns pela realização”.



        O economista Geraldo Barros, que estava na plateia, aplaudiu a iniciativa. “É um projeto muito válido, que nos mostra muitas riquezas culturais de Alagoas. As pessoas estão acostumadas a enxergar somente os aspectos negativos das coisas, e hoje nós pudemos ver o Rogério Dias cantando poesias que enaltecem o alagoano, que valorizam nossa cultura. Eu acho que a gente precisa disso, de espetáculos que nos lembrem de nosso valor”, pontuou.
         Para Sóstenes Lima, presidente da Cooperativa dos Trabalhadores de Música de Alagoas (Comusa), o projeto tem alcançado seus objetivos. “A proposta do Palavra Mínima é trazer essas duas linguagens, a música e a poesia, num espetáculo onde haja uma interação entre elas, onde haja uma experimentação nessa relação. A gente está observando que o público tem aprovado as apresentações e isso nos tem feito pensar sobre outras linguagens que podemos agregar ao projeto no futuro. Talvez o teatro seja uma linguagem que caiba bem nessa proposta. Ainda virá muita coisa pela frente”, adiantou.
         O músico Fagner Dübrown, da Poesia Musicada no Pandeiro, aprovou o formato. “A gente já vem trabalhando essa relação entre a poesia e a música há algum tempo e achamos que o projeto nos deu a oportunidade, hoje, de experimentarmos um pouco mais essa coisa de trazer a poesia pro universo da música, com a participação do Emanuel Galvão. Foi um prazer”, declarou o pandeirista.



         Esta edição do Palavra Mínima chegou ao fim deixando um sentimento bacana trazido pelo pandeiro e pelas palavras declamadas e cantadas, orgulhosas de seu sotaque alagoano.

* Fotos de Diogo Braz

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Apresentação de Dança do Ventre do Grupo Luz do Oriente

Apresentação de Dança do Ventre mostra a feminilidade através da arte

Diogo Braz

A dança é uma forma de expressão artística tão antiga quanto as próprias civilizações e, ainda nos dias de hoje, ela guarda um pouco dos sentidos ritualísticos das suas práticas antigas. Se através dos movimentos da Dança do Ventre as mulheres da antiguidade trabalhavam todas as potencialidades de suas feminilidades como forma de agradecimento às deusas da fertilidade, ainda hoje esse despertar parece fascinante, seja por seus movimentos, pelos olhares, pelas indumentárias, ou somente pela ideia de que estamos assistindo a uma apresentação de dança do ventre. 

      Ontem (18), no Espaço Linda Mascarenhas, mulheres de diferentes faixas etárias apresentaram um pouco desse “auto descobrimento” na primeira noite do oriente, promovida pelo grupo de Dança do Ventre “Luz do Oriente”, da professora Sarah Nayyirah. No palco foi apresentada a feminilidade através da arte, em números repletos de movimentos sinuosos e sensuais, dentro de uma atmosfera formada por elementos da cultura oriental, desde a música até os tecidos do cenário, os acessórios usados nas danças (facões, cajados, espadas, vasos de água), e a maquiagem dos dançarinos. 


Dentre o grupo que se apresentou, havia uma variedade de idade, gênero e tipos físicos comprovou que a prática graciosa da Dança do Ventre não impõe restrições. O desempenho dos pupilos foi aprovado pela mestra. “Elas foram bem, se esforçaram muito. São alunas que estão evoluindo, estão chegando em níveis melhores. Tem pessoas que têm pouco tempo de dança e já estão se apresentando. Eu achei legal”, elogiou a professora Sarah Nayyirah, que também subiu ao palco, ora junta aos alunos e ora em números solo, com coreografias complexas e graciosidade estampada na relação do olhar com a plateia. “Nós conhecemos o trabalho da Sarah há bastante tempo, viemos prestigiar e estamos adorando o espetáculo, está muito bonito, mostrando toda a feminilidade dos gestos, do olhar”, comentou a dançarina Leila Samira, do grupo de Dança Cigana Leshjae.



      A dançarina Anne Djurdjevjch elogiou a iniciativa do espetáculo: “Trabalhos como este que a Sarah está fazendo são importantíssimos porque o alagoano é carente do que vem de fora. A gente se foca muito no regional, o que é importante também, mas a gente precisa saber também de onde a gente veio para mostrar o que a gente tem agora. E essa dança aí é uma dança do mundo, com mais de seis mil anos de história. Então eu acho que o evento é muito válido. Que venham outros”, incentivou Anne, que também faz parte do grupo Leshjae, que animou o hall do Espaço Linda Mascarenhas num “show do intervalo”, improvisando um número de dança ao som da percussão de Ruiter Djurdjevjch.



           O cantor e compositor Luiz de Assis também aprovou a ideia do espetáculo: “É uma oportunidade boa pra ver uma dança diferente, que não é tão comum aqui em Maceió. Eu estou achando isso muito legal”, comentou.
A intenção foi exatamente apresentar a Dança do Ventre, além do alcance dos estereótipos das produções televisivas ou hollywoodianas sobre essa arte. “Hoje nós fizemos uma mistura, uma mostra geral do que é a Dança do Ventre, desde a sua origem ritualística – com os instrumentos que nós mostramos aqui: o véu, bastão, pandeiro... – até o ‘moderno’, o que está sendo feito hoje na Dança do Ventre”, explicou.
Sendo assim, o público que compareceu ontem ao Linda – como o Espaço Cultural Linda Mascarenhas é carinhosamente conhecido – pode apreciar uma linda manifestação da feminilidade através da dança.


* Fotos de Diogo Braz

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Apresentação do grupo Mutirõ

Mutirão de amigos para celebrar a espiritualidade através da música e da dança

Diogo Braz

Na última quinta, todos no Espaço Linda Mascarenhas pareciam estar imersos numa atmosfera de amor universal e espiritualidade. Os sons que se ouviam no hall remetiam aos ruídos da natureza, o som das florestas. Projeções nas paredes e em paineis cobertos de renda revezavam imagens de índios, de constelações estelares, mandalas psicodélicas em uma série de referências ao sagrado. O ambiente estava preparado para uma noite de celebração à natureza, por meio da música, dança e artes visuais. Tratava-se da primeira apresentação do grupo Mutirõ. 

Projeções em paineis de renda no Hall do Linda Mascarenhas

O nome do grupo, inspirado na palavra “mutirão”, já dava a pista de tudo: Formado por amigos que frequentam o Centro de Harmonização Interior Essência Divina, CHIED – centro de práticas ligadas ao estudo de culturas universais ligadas ao uso religioso da bebida ayahuasca – o Mutirõ se propõe a apresentar releituras de hinos ayahuasqueiros, mantras indianos e outras canções desse universo da ayahuasca, além de flertar com a interdisciplinaridade, apresentando um solo de dança de Valéria Nunes, interagindo com uma vídeo instalação de Glauber Xavier. O número originalmente faz parte do elogiado espetáculo de dança Desnuda e se encaixou bem na temática do evento. “Esse solo surgiu da minha vontade de trazer à tona esse universo dessa mulher que cura, as curandeiras que trabalham com ayahuasca e cânticos. Daí, esse universo eu levei pro Desnuda, e quando surgiu a ideia dessa banda Mutirõ a gente pensou em trazer (o solo) que está na mesma energia”, explicou Valéria.
A música relaxante e as imagens projetadas na parede e no belo cenário criavam um clima e espaço ideais para que os movimentos da bailarina encantassem o público. Em alguns momentos, a plasticidade dos movimentos de Valéria pareciam representar a anciã curandeira e em outros momentos pareciam ser a própria força da natureza em seu processo de cura. “Foi sensacional, ela dançando é incrível. Pra mim, passou muita coisa... ela olhou pra todo mundo! Isso é muito forte”, elogiou o ator Carlos Roberto Barros, que estava na platéia. A arquiteta Synara Holanda, que assina a bela cenografia do espetáculo, falou sobre a interação da dança com o resto do espetáculo. “Esse solo da Valéria se integra na proposta do show, porque essa coisa da espiritualidade é algo que ela já vem trabalhando e é algo que eles (do Mutirõ) trazem pra música, pra arte. E eu achei o resultado fantástico”, comentou. 

Público compareceu para prestigiar a música do Mutirõ

Terminada a dança, era o momento do show musical, e o pessoal do Mutirõ não decepcionou. André Nascimento (vocal), Carol Salgado (vocal), Lucas Rubenich (violão e vocal), Rodolfo Manta (vocal, violão e percussão), Gama Jr. (flautas e vocais), Vishua Prem (baixo, violão e vocais), Glauber Xavier (percussão e vocais), Anderson José (percussão), Valéria Nunes (vocais) e Juliana Flor (vocais): 10 músicos subiram ao palco e puderam mostrar uma música relaxante, construída por instrumentos acústicos e sonoridade que flertava com elementos indianos, hinos religiosos e sons da floresta. 
Grupo interagiu com o público presente

A apresentação ocorreu em tom de celebração espiritual e a plateia, formada em sua maioria por outros membros do CHIED, interagiu com os músicos, deixando a noite com um clima amistoso e familiar. Em certo momento, os filhos de alguns músicos subiram ao palco com toda a espontaneidade de criança e uma, inclusive, acabou dormindo ali mesmo. “O Mutirõ é um movimento de amigos mesmo. E a gente poder organizar essa coisa que a gente faz no quintal de casa, no sítio, na natureza, e trazer para um local como um teatro é bem especial pra gente, porque aí a gente pode mostrar pra outros amigos essa vida meio ‘natureba’”, explica o músico e artista visual Glauber Xavier. 
Filhos dos músicos subiram espontaneamente no palco para participar

A impressão causada na platéia foi boa. “foi ótimo! Eu acho que foi pra sentir o amor, pra estar no amor... eu estou levando isso, o amor, pra casa”, comenta a comunicóloga Fernanda Fassanaro.
Para o cantor André Nascimento, o resultado foi melhor que o esperado. “Eu achei que a performance do grupo me surpreendeu. A gente não teve muito tempo pra ensaiar, pensamos até em adiar, mas não! Decidimos firmar o compromisso e eu estou muito feliz em poder participar dessa celebração da alegria, da harmonia, da luz, da paz e do amor”.
Para quem perdeu a apresentação e deseja interagir com esses sentimentos bons, o grupo pretende levar o projeto adiante e mostrar mais um pouco dessa música de ideais universalistas. “Pra quem quiser mais Mutirõ, a gente deve estar fazendo um show em setembro já com roupagem nova, porque a gente ainda está se descobrindo, até a gente achar quem a gente é e o que a gente quer fazer”, anuncia Glauber Xavier. Basta então, com a certeza de que vem por aí mais música boa, ligada ao amor universal.
 
Veja um trecho do show:


* Fotos de Diogo Braz

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Palavra Mínima: Poesia Musicada no Pandeiro e Emanuel Galvão - Divulgação

Palavra Mínima segue destacando a interação de música e poesia

Diogo Braz com Assessoria Comusa e Alternativa Produções Culturais



Após o sucesso da estréia, com a apresentação do músico João Albrecht e o poeta Ricardo Cabus, o projeto Palavra Mínima – iniciativa do Instituto Zumbi dos Palmares (IZP) e da Cooperativa dos Profissionais de Música do Estado de Alagoas (Comusa) – continua trazendo a interação de música e poesia ao palco do espaço Cultural Linda Mascarenhas. A próxima edição, que acontece no dia 19 de agosto (sexta), traz o grupo musical “Poesia Musicada no Pandeiro” e a poesia de Emanoel Galvão.



Poesia Musicada no Pandeiro

Nascido de um encontro ocasional na Academia Alagoana da Boemia, no qual o poeta Rogério Dias havia sido convidado para declamar seus versos acompanhado pelo pandeiro de Fagner Dübrown, o Grupo Poesia Musicada no Pandeiro reivindica em sua arte a mais autêntica expressão das culturas populares de Alagoas e do Nordeste do Brasil, incorporando ao seu repertório uma mistura de coco, embolada e poesia que tem encantado o público por onde passa. 



Na batida do pandeiro de Dübrown e na força da voz estridente de Rogério Dias, as expressões características dos palcos do teatro e da arte da declamação se encontram, formando um novo estilo do fazer popular. Somados a esses elementos, também há o violão sete cordas de Gustavo Rolo, o contrabaixo de Tiago Franja e a Zabumba pesada de Téo Batera, completando a mistura harmoniosa que proporciona um tom mais reflexivo aos poemas de Jorge de Lima, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, entre outros declamados.

Além dos elementos sonoros, o Poesia Musicada no Pandeiro conta também com a presença da dançarina de coco-de-roda Andréa Carvalho, que acrescenta graça e alegria às apresentações do grupo.



Emanuel Galvão

Emanuel Lopes Ferreira Galvão, alagoano de União dos Palmares, nasceu em 11 de janeiro de 1967. Formou-se em Educação Artística pelo Centro de Estudos Superiores de Maceió - CESMAC e fez pós-graduação em Artes Visuais. É professor, pintor, escultor e poeta. Flor Atrevida é sua primeira publicação pela Editora Quadrioffice, do Paraná. O livro foi lançado na Bienal do livro de 2007, em Maceió. Emanuel Galvão tem produção fértil e já planeja publicar, também pela Quadrioffice, os livros: O Domador de Palavras e Um Olhar Pela Janela e Acho a Vida Bela.



Palavra Mínima

O projeto Palavra Mínima tem o objetivo de criar mais um espaço para veiculação da arte produzida em Alagoas. Trata-se de um empreendimento cultural consistente que acontecerá sempre às sextas, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, no formato de um espetáculo musical impregnado de literatura, que mostra a sintonia entre a palavra cantada – da música dos compositores e intérpretes – e os textos dos diversos autores alagoanos, buscando, assim, unir duas expressões, como produção única. 


* Foto: Divulgação

Serviço:

Projeto Palavra Mínima, com Poesia Musicada no Pandeiro e Emanuel Galvão

Sexta, 19 de agosto, às 20 horas

No Espaço Cultural Linda Mascarenhas

Ingressos:

R$20,00 (preço promocional de R$10,00)



Apoio:

Fundação Cultural Cidade de Maceió

Mucom – Museu do Comércio de Alagoas

Secretaria de Estado da Cultura

SEBRAE-AL

Pizzaria Santo Orégano

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Exposição Heavy Metal em destaque, de Pei Fon

As imagens de uma cena musical de peso

Diogo Braz

Se uma imagem vale mais de mil palavras, as fotos de Pei Fon comportam frases rasgadas, gritadas em voz gutural. Em cartaz até 12 de agosto no Espaço Linda Mascarenhas com a exposição “Heavy Metal em destaque”, a fotógrafa revela o retrato de uma cena musical de fãs tão devotados quanto torcedores de futebol. 
Assim como a arte dos gramados, o Heavy Metal é encarado por muitos como uma paixão, uma religião, e as fotos de Pei traduzem um pouco disso: são capturas de instantes que guardam toda a plasticidade de movimentos dos headbangers e seus rostos cheios de expressão. Há uma energia guardada nessas imagens que parece transportar o espectador para dentro da experiência de um show de Heavy Metal, quem já foi a um sabe muito bem do que se trata, reconhece-se nas poses ou apenas nas camisas pretas, indumentárias tão características do estilo, que têm a sobriedade monocromática quebrada pelas luzes coloridas que vêm do palco.


Pei Fon e o resultado de sua paixão pela fotografia e pelo Metal
Pei Fon é familiar a esse cenário, há dois anos ela e alguns amigos vêm tocando a revista Rock Meeting, que cobre a cena de Rock de Alagoas, com destaque ao Metal. A fotografia está em seu DNA, sua família é talvez a mais tradicional família na arte da fotografia em Alagoas. Nada mais natural que unir duas paixões: a fotografia e o som pesado do Heavy Metal. A idéia da exposição surgiu ao final do curso de Jornalismo. Pei havia decidido fazer seu Trabalho de Conclusão de Curso relacionado à fotografia, mas a temática das fotos foi sugestão da professora e fotógrafa Fernanda Capibaribe, que a incentivou a trabalhar com as fotos da Rock Meeting. “A princípio, eu pensava em fazer algo ligado à minha família, mas houve então algumas situações de perdas importantes dentro da família, como a minha mãe, daí eu desisti. Então a Fernanda sugeriu que eu pegasse as melhores fotos que eu havia feito pra revista e montasse uma exposição e que eu trabalhasse com essas fotos pro TCC. Eu selecionei umas 50 fotos e dessas, tirei 25 pra exposição. São fotos que têm um significado pra mim, eu sei por que cada uma delas está aqui nessa mostra. São dois anos de acompanhamento da cena, e a exposição também mostra um pouco da minha evolução na fotografia. Tem fotos do início da revista, algumas em que eu peguei a máquina e fui testando pra ver o que eu conseguia, bem no instinto mesmo, já outras que são aplicações de técnicas... Mas tudo sem mexer no photoshop, todo o resultado daqui foi tirado da câmera mesmo”, explica.


Veja algumas fotos que integram a exposição


Foto de Pei Fon
Foto de Pei Fon
Foto de Pei Fon
Foto de Pei Fon


Com a experiência de dois anos acompanhando a cena do Heavy Metal, Pei Fon também tomou contato com o cenário musical de Rock pesado de outros estados e ressalta que a principal diferença da cena alagoana com a de outros lugares é que o headbanger alagoano é muito mais apaixonado pelo estilo. “O público daqui faz questão de demonstrar que está gostando do som, faz questão de ficar na frente do palco dando apoio às bandas, de falar com o artista no final do show e parabenizar, pelo menos em comparação aos estados onde estive eu nunca vi um público tão apaixonado quanto o daqui”, afirma Pei.
De acordo com a fotógrafa, a intenção principal da exposição é que esse público apaixonado se reconheça nas fotos. “É como se fosse um espelho das atitudes deles. A intenção é que as pessoas vejam as fotos e digam ‘poxa, eu também faço isso’; se o cara for músico, que ele se identifique: ‘eu também toco desse jeito’”
Para o músico Wagner Sampaio, as fotos representam bem o estilo. “Não precisava nem dizer que era uma exposição sobre Heavy Metal, as fotos já falam tudo. As marcas visuais do Metal estão presentes nas fotos: o cabelão sacudindo, as pessoas batendo cabeça na frente do palco... as fotos estão bem interessantes”, avaliou.
Se as imagens valem mais de mil palavras, o som das fotos de Pei Fon é distorcido, rápido e apaixonado, como a cena alagoana de Heavy Metal.
Saiba um pouco mais sobre a exposição:


 
Acesse a Rock Meeting: http://issuu.com/rockmeeting

* Fotos: Diogo Braz e Pei Fon

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Show e debate de Rap com Versu2 (BA) e A.S.U. (AL)


Rap ilumina mentes em noite de blackout


Diogo Braz

Noite do dia 3 de agosto de 2011: Uma noite em que problemas técnicos e blackout não apagaram o brilho do Rap independente. Organizado pelo Coletivo Popfuzz, o encontro entre o grupo de rap baiano Versu2 e os alagoanos do A.S.U. tinha a proposta de debater o Rap e as culturas Hip Hop e Indie, bem como apresentar o Circuito Fora do Eixo para os Rappers e o público alagoano por meio das batidas e rimas.
O público compareceu em massa. Pouco a pouco, as cadeiras do Espaço Cultural Linda Mascarenhas foram completamente ocupadas, principalmente por jovens interessados no intercâmbio cultural e na discussão sobre a cena musical local. O debate acontecia cheio de ideias e interação do público, até que Maceió inteira foi tomada por um blackout elétrico de mais de uma hora de duração. Mesmo sem potência na rede elétrica, a energia do público superou esse obstáculo e ele aguardou pacientemente até que tudo voltasse ao normal.


Will Grind e Blequimobiu (Foto de Gabriel Passos)
MCs trocam ideias e experiências com público

Com o imprevisto, a montagem da aparelhagem de som foi recheada de problemas técnicos com a instalação elétrica do Espaço Linda Mascarenhas, problemas que atrasaram um pouco mais a realização do show dos dois grupos... Mas o público permanecia lotando as cadeiras do Linda Mascarenhas. Com tantos problemas, a noite que tinha tudo para dar errado, serviu para mostrar a resistência da cultura independente em geral: Os rappers não se abateram, mantinham o entusiasmo e a superação desses obstáculos deu a eles uma força ainda maior para fazer uma apresentação à altura da espera no final da noite. “Se desse tudo certo, não teríamos história pra contar. Imaginou? ‘– Fomos em Maceió, tocamos e depois partimos pra Recife’. O bom é ter história: ‘Fomos em Maceió, na hora do show a cidade apagou, deu problema no som do teatro, o cara foi buscar outro som, mas a gente conseguiu tocar e deu tudo certo. Foi ótimo’. É história pra contar!”, contemporizou o MC Blequimobiu, do Versu2, enquanto o elétrico MC Will Grind, do A.S.U., andava de um lado para o outro conversando com o público presente, sem se abater com os contratempos.
Também pode-se perceber a persistência empreendedora dos organizadores do evento, o Coletivo Popfuzz, que tem movimentado a cena cultural independente de Alagoas. Telefones em punho, os “Popfuzzers” não reclamavam da sorte, mas buscavam soluções para os problemas que surgiam e, no final da noite, assim como os rappers do A.S.U. e do Versu2, puderam colher o sucesso de mais uma empreitada. “Não tem problema, ninguém podia prever essa pane de energia. O importante é que as pessoas compareceram e gostaram do debate e dos shows. É importante para mostrar que há um público interessado em Rap aqui em Alagoas. Veio um pessoal de longe, uma van de União dos Palmares, inclusive com os secretários de Cultura e da Juventude de lá. Isso demonstra um interesse das pessoas pela cultura independente”, falou Luiz Roberto Farias, um dos membros do Coletivo.
O público reconheceu a importância do Rap estar em debate no palco do Linda Mascarenhas e mostrou o interesse em discutir os rumos desse estilo musical carregado de consciência. Rimas cortantes que atingiam fundo as mazelas sociais de um país que ainda está se acostumando ao estilo.


Versu2 em ação

Com o microfone nas mãos, os MC’s Coscarque e Blequimobiu, do Versu2, soltavam rimas perfeitamente combinadas com as bases do DJ Gug: Um som feito para dançar e pensar. Ao contrário do estereótipo de letras violentas, o Versu2 traz uma visão consciente do cotidiano urbano, sobre emoções, anseios, paz, amor, diversão e conhecimento. O grupo está em turnê pelo Nordeste e, depois de cumprir bem o seu dever em Maceió, segue a caminho de Recife para mostrar o seu som e sua verdade.
Já com a rima mais solta, os MC’s Will Grind e Allan FDC, os Anônimos da Sociedade Underground (A.S.U.) rimaram sobre política, skate, educação e cidadania, mostrando que o Rap alagoano está desenvolvendo seu cenário com qualidade de sons e palavras. Para a penúltima música, convidaram ao palco o MC Raboo, do grupo Clandestinos, e deixaram a boa impressão de um movimento que se constrói nas parcerias e na união. Vida longa ao Rap alagoano.


A.S.U. e MC Raboo: União da cena Rap em Alagoas

Com o término bem depois do previsto, o público que ficou até o final do evento pode presenciar uma noite emblemática do Rap em Maceió, em que o “apagão” energético não apagou as ideias de um movimento cada vez mais dentro do circuito, aproximando as margens do centro.


Veja como foi o evento:



Para conhecer mais:
Coletivo Popfuzz: http://popfuzz.com.br/

*Fotos: Gabriel Passos (P&B) e Diogo Braz

sábado, 30 de julho de 2011

Projeto Palavra Mínima: João Albrecht e Ricardo Cabús


Projeto destaca a palavra com junção de música e poesia no Linda Mascarenhas
Diogo Braz

A palavra a serviço da arte, por mínima que seja, desperta a imaginação de quem com ela entra em contato. Seja declamada, cantada ou escrita, a palavra parece brincar na mente dos que a absorvem, bela, encantada. Na música e na poesia, a palavra, por mais singela que possa ser, tem o seu destaque. Foi o que se pode perceber na última sexta (29), no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, durante a estreia do projeto Palavra Mínima, idealizado pela Cooperativa dos Músicos de Alagoas, Comusa, e realizado em conjunto com o Instituto Zumbi dos Palmares, IZP.
A expectativa era grande. No palco, a música de João Albrecht e a poesia de Ricardo Cabús serviram para demonstrar o bom entrosamento dessas duas linguagens que privilegiam a palavra. Num formato que se reveza em declamações e show musical, o projeto mostrou ainda mais sua graça quando foram apresentadas as poesias que se uniram à música e viraram canção.



João Albrecht, dono de uma presença serena e voz suave, desfilou uma série de ótimas composições, suas e de artistas alagoanos, acompanhado pelos talentosos Alexandre Rodas (violão solo), Anderson Almeida (baixo) e Wilson Miranda (percussão). Desde o primeiro momento, podia-se perceber que se tratava de um show preparado com o esmero de profissionais gabaritados. A longa trajetória de Albrecht na música proporcionou a formação de um repertório bem coeso, cheio de melodias conhecidas pelo público presente, que aplaudia ao reconhecer os primeiros acordes de algumas canções. “É um repertório autoral, com músicas minhas e de alguns compositores aqui de Alagoas, com esse bate-bola com a poesia do Ricardo Cabús. Mas não é nada temático, a gente fala de tudo um pouquinho. É uma felicidade e, ao mesmo tempo, é um desafio muito grande, porque não há um parâmetro, já que a gente é o primeiro (show do projeto), mas, pelo que rolou nos ensaios, o clima está muito legal, a gente está se dando muito bem com essa interação com a poesia”, confessou o cantor pouco antes de subir ao palco. E o resultado dessa “tabelinha” realmente agradou. Sóstenes Lima, presidente da Comusa, também destacou a relação dessas manifestações artísticas: “A gente já acreditava que poesia e música têm uma inter-relação muito grande e isso ficou provado. O desempenho do João, na música, e do Ricardo, na poesia, ressaltou ainda mais essa crença de que são duas linguagens e uma só expressão”, avaliou.



Com as palavras à mão, mais precisamente em seu livro “Cacos inconexos”, o qual foi o fio condutor das leituras do espetáculo, o professor e poeta Ricardo Cabús estava à vontade no palco, segurança fruto de anos à frente do projeto “Papel no Varal”. Entre as poesias declamadas estavam sua única poesia sobre Maceió até agora, duas versões de uma poesia encomendada sobre a lua e várias sobre o amor, do mais romântico ao mais erótico. Entre alguns goles de cachaça, Cabús aquecia a garganta e destilava palavras cheias de calor, um traço marcante de seus versos. O poeta já recebeu elogios de mestres da palavra, como Arriete Vilela, que classificou sua poesia como “inteligente, inquietante e ardilosa”, e de Lêdo Ivo, que destacou a visão imediata de seus textos. No espetáculo, Ricardo Cabús fez leituras também de outros poetas. “É uma série de poemas meus que estão no ‘Cacos inconexos’ e de alguns poemas traduzidos de autores de língua inglesa e espanhola. E há a interação com a música do João... inclusive fizemos uma canção nova, o João musicou um poema meu e o público pode presenciar hoje, em primeira mão”. Trata-se da canção “Um beijo”, que você também pode conferir aqui:



Ricardo Cabús aprovou o projeto. “É uma ideia excelente: a gente conseguir trazer para o palco música e poesia em conjunto, em 15 espetáculos. Isso é algo muito significativo em qualquer lugar do mundo. Eu tenho muito orgulho de ser alagoano e estar dentro desse projeto”, elogiou. O diretor do Espaço Cultural Linda Mascarenhas, Júnior Almeida, destacou a importância da iniciativa: “sempre que você coloca vários artistas para mostrarem o seu produto, seu trabalho, eu acho que isso tem uma importância imensa num lugar onde a gente tem uma grande dificuldade de espaço. Então cada vez que eles se encontram, é sempre válido”, avaliou.
Marcelo Sandes, presidente do Instituto Zumbi dos Palmares também aprovou: “É um projeto que tem tudo a ver com o IZP, com o Espaço Linda Mascarenhas, porque é fruto de uma parceria muito bem articulada com a Comusa e envolve artistas, compositores, músicos, poetas... e a gente estima que esse projeto tenha fôlego longo e nós vamos dar todo o apoio nesse sentido, para que novas edições aconteçam”, afirmou.



Logo após a apresentação de João Albrecht e Ricardo Cabús, que teve direito a bis, a cantora e membro da Comusa, Irina Costa, comemorou a estreia: “A gente começou com o pé direito, fez bem pra alma. Eu acho que todos gostaram, houve muita interação. O público escutou boa música e ótima poesia”.
O projeto Palavra Mínima acontecerá todas as sextas, às 20 horas, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, até dezembro, sempre com uma atração musical e outra poética, mostrando que a palavra a serviço da arte, por mínima que seja, pode alcançar grandes resultados. Confira o vídeo sobre a estreia do projeto Palavra Mínima:

  * Fotos de Irina Costa