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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Palavra Mínima - Jan Claudio e Eduardo Proffa

Jan Claudio e Eduardo Proffa apresentam frutos de quase 30 anos de amizade no Palavra Mínima

Diogo Braz

O Projeto Palavra Mínima – uma realização do Instituto Zumbi dos Palmares (IZP) e Cooperativa dos Trabalhadores de Música de Alagoas (Comusa) – tem proporcionado momentos muito interessantes para a cultura do estado. Em sua terceira apresentação, o projeto já conseguiu estabelecer um formato de sucesso, baseado numa interação natural entre música e poesia. Um grande mérito está na escolha das atrações: poetas e músicos que conhecem o trabalho um do outro e acabam sempre construindo um repertório conexo, dando à interatividade das linguagens uma dimensão bem mais profunda que apenas a declamação de poemas entre canções. O perfeito exemplo dessa interação pode ser visto na última sexta (02/09), durante a apresentação de Jan Claudio e Eduardo Proffa, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas.

Público esgotou os ingressos do Espaço Linda Mascarenhas - Foto de Diogo B raz

Os dois são amigos desde o tempo de colégio; serviram juntos ao Exército, quando os laços de amizade se fortaleceram, então desenvolveram uma parceria produtiva no mundo das artes: montaram grupos musicais como o extinto “Nó na Garganta” e passaram a compor música, influenciando um na produção do outro. O resultado disso são canções conhecidas do público que acompanha os festivais alagoanos de música. Jan e Eduardo são figuras habituais desses palcos, tendo se destacado em importantes festivais como o Femusesc, o Femucic, Festival do Sesi, Festival do IZP, entre outros. No decorrer de suas carreiras conseguiram a fidelidade de um público grande, o qual chamam de amigos. Esse público esgotou os ingressos para a apresentação, o que motivou a Comusa e o IZP a realizarem uma sessão extra do espetáculo, que acontecerá na próxima sexta (09/09). “A gente só tem a agradecer pelo apoio dos amigos que vêm nos prestigiando, e a intenção é que a gente consiga atingir mais pessoas. Essa oportunidade que nós teremos na próxima sexta já vai ser um direcionamento para isso: que as pessoas que não conhecem nosso trabalho e não puderam vir antes, venham na sexta pra conhecer”, convida Jan Cláudio.

Química no palco - Foto de Diogo Braz

Quando o espetáculo começa, os dois mostram o motivo dessa mobilização de amigos: Quase 30 anos de colaboração entre dois parceiros na construção de obras acessíveis e de qualidade.

Eduardo Proffa

A trajetória e a produção artística do poeta Eduardo Proffa se confunde com a música. Poeta e compositor, Proffa viu na música um veículo para seus versos. “O que eu gosto de fazer é poesia, e na música eu descobri um caminho para mostrar a minha poesia. E foi a partir daí que eu comecei a enveredar por esse caminho, mas a ideia principal sempre foi mostrar a poesia através da música, tanto é que, numa parte do show, são apresentados poemas meus que foram musicados pelo Jan nessa nossa longa trajetória de construção de arte”.
Os versos de Proffa têm ritmo que suscita melodia e uma universalidade de temas que possibilita que sejam sentidos com propriedade por diversas pessoas. A maneira com que declama as poesias é quase teatral, criando o clima ideal para serem entendidas.

Eduardo Proffa e seus versos musicados - Foto de Diogo Braz 

Para Eduardo, a importância do projeto é criar público para diversas linguagens da arte. “A poesia é muito legal, ela é livre, é pra todo mundo, mas a visibilidade da música é muito maior que a da poesia. Então, quando a gente tem um projeto como este, que intercala poesia e música, as pessoas podem ver que as duas são uma coisa só. O IZP e a Comusa estão de parabéns por esse trabalho de fomentar público, porque quando nós trazemos pessoas pra ver nossa apresentação a gente está também fomentando público para outros artistas que se apresentem aqui e vice-versa”, comenta.

Jan Claudio

            Jan é dono de uma voz “macia” e perfeitamente afinada, seu repertório é construído em cima de uma MPB acessível, de melodias com forte apelo radiofônico, com refrões agradáveis que ficam na cabeça, como, por exemplo, em “Linda Sereia”. Em cima do palco, Jan Claudio apresenta uma desenvoltura que não lembra sequer a sombra de um bancário, sua atividade profissional paralela à música. Mesmo com toda a atribulada agenda profissional diária, o cantor arranja tempo para cuidar da carreira e planejar seu disco. “Para lançar um disco existe muita coisa envolvida. Mas, mesmo com essa falta de tempo, eu já estou com um pré-projeto do disco, com seis músicas arranjadas... De repente vai entrar alguma coisa daqui, dos arranjos que fizemos para este show, já que algumas músicas são totalmente inéditas e foram preparadas ao longo dos ensaios para este espetáculo”, revela o cantor.

Jan Claudio e sua MPB acessível - Foto de Diogo Braz

            Jan também enxerga a interação da poesia com a música como um dos méritos do Palavra Mínima. “Esse projeto é fantástico! A gente estava ansioso pra participar, as pessoas também entenderam isso e compareceram, dando um gás a mais pra apresentação, que deu oportunidade pra mim e pro Proffa mostrarmos um pouco da nossa produção em conjunto, um trajeto quase 30 anos colocando as emoções no papel e no violão”.

A apresentação


O entrosamento natural encantou o público - Foto de Diogo Braz

            A apresentação teve como fio condutor a amizade dos dois artistas. O entrosamento entre eles é algo natural, nem poderia ser forçado. Assim como o vinho que estava sobre o palco, a parceria parece ter sido apurada com o tempo, sem se deixar transformar em vinagre. A demonstração de afeto e respeito mútuo deixou sua marca no espetáculo desde os acordes em parceria até quando um se referia ao outro usando a palavra irmão: Palavras têm força, por mínima que seja e essa química proporcionada pela amizade entre Jan e Edurado deu um tom bastante agradável ao show, que contou com os músicos afinadíssimos Nana Villa Lobos (Direção Musical, violões), Mizael Dantas (baixo), Christiaan Klaus (teclado) e Wilson Miranda (percussão) fazendo bonito.  

Time completo de músicos fez bonito no espetáculo - Foto de Diogo Braz

Como se isso não bastasse, o show contou com a participação especial da cantora Irina Costa, que deu um show a parte. Irina tem timbre e presença elogiáveis, apresentou “Literatura de Bordel”, uma música inédita da dupla de compositores, arrancando aplausos do público. “Foi um espetáculo muito bom de se fazer, a música é linda... Na verdade foi um convite inusitado, o Jan me mandou uma mensagem e eu aceitei sem titubear. Depois ele explicou como seria a minha participação e o público vai ter de vir assistir para entender a música e o contexto”, convida. Além de participar novamente do show da próxima sexta, Irina também vai se apresentar no Projeto Palavra Mínima, no dia 4 de novembro: imperdível.

Irina Costa deu mais brilho ao show - Foto de Diogo Braz

O público aprovou a apresentação. “O projeto é ótimo, há essa interação da poesia cantada com a poesia declamada, e o show de hoje, em particular, com a voz belíssima do Jan, a performance da declamação, também: é o casamento perfeito! Harmonia, arte e o amor”, sintetizou a Juíza Ana Raquel Gama, que aplaudiu de pé em conjunto com o público que lotava a Espaço Linda Mascarenhas.
Quem não conseguiu comprar ingressos para assistir ao show, terá nova oportunidade esta sexta, dia 09 de setembro, às 20 horas. Vale a pena!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Espaço Linda Mascarenhas movimenta bairro do Farol com arte e cultura

Espaço Linda Mascarenhas movimenta bairro do Farol com arte e cultura

Música, poesia e teatro são destaques da agenda neste fim de semana

Diogo Braz

Já faz algum tempo que o Espaço Cultural Linda Mascarenhas deixou de ser apenas aquele “teatro ao lado do CEPA”. Com uma agenda movimentada por apresentações das mais diversas expressões artísticas, o espaço se tornou habitual na cena cultural de Maceió. Hoje, não é mais preciso usar o CEPA como referência, todo maceioense interessado em arte sabe onde fica o “Linda”, como é carinhosamente conhecido. 
A inserção do Linda Mascarenhas no cotidiano do bairro do Farol vem sendo conquistada aos poucos, fruto de uma filosofia muito simples: abrir as portas para que os artistas apresentem suas produções, fazendo com que seja cumprida a sua função de aparelho cultural público. “A idéia é fazer com que o Espaço seja parte do dia a dia da comunidade, facilitando o acesso às produções; que as pessoas saibam que sempre vai estar acontecendo algum espetáculo aqui e que, no dia em que vierem, vão poder assistir a uma apresentação de qualidade artística, num local seguro e de fácil acesso”, comentou o diretor do Espaço Linda Mascarenhas, Júnior Almeida. 

Espaço Linda Mascarenhas em agitação cultural - Foto de Ascom IZP

Para se ter ideia da movimentação do Linda, só no mês de agosto foram realizados seis shows musicais, uma oficina de grafite, um ciclo de palestras, duas exposições fotográficas, dois ensaios de companhias teatrais, duas apresentações de dança, uma apresentação de vídeo instalação, uma transmissão de programa de rádio de auditório... Uma agenda extensa, que agrada a diversos segmentos de um público ávido por cultura. E as apresentações não param! Inaugurando o mês de setembro, hoje haverá mais uma edição do Projeto Palavra Mínima, com show de Jan Cláudio e Eduardo Proffa. E amanhã é a vez do Coletivo Vermelho de Teatro estrear uma nova temporada do comentado espetáculo “Rojo”: Promessa de um final de semana movimentado no bairro do Farol. 
Palavra Mínima - Uma prova de que o público tem se acostumado, cada vez mais, a frequentar o Espaço Linda Mascarenhas é que os ingressos para o Palavra Mínima de hoje já estão esgotados, fazendo com que haja uma apresentação extra dos dois artistas na próxima sexta (09), às 20h. O projeto é uma realização do IZP e Cooperativa dos Profissionais de Música de Alagoas (COMUSA) e tem chamado a atenção pela proposta de unir duas expressões artísticas como produção única. Dessa vez, sobem ao palco o cantor e compositor Jan Cláudio e o poeta Eduardo Proffa.

Jan Cláudio será atração do Palavra Mínima - Foto de Victor Sgarbi

Jan Cláudio é um nome habitual em festivais de música, já foi premiado no Femusesc e Festival de Música do Sesi, tendo representado Alagoas em outros estados do país. Começou sua carreira no grupo vocal “Nó na Garganta” e pretende mostrar o seu trabalho autoral com foco em MPB no show de hoje.
A poesia de Eduardo Proffa tem uma trajetória que se confunde com a música. Integrou diversos grupos musicais, destacando-se como compositor. Proffa é também professor de Educação Física, blogueiro ativo e autor do “Manifesto Antropofágico Cultural Alagoano”. 
Rojo - Com direção de Jonatha de Albuquerque Vieira e Nara Salles, a montagem Rojo estará em cartaz nos dias 3 e 10 de setembro no Linda Mascarenhas, fruto de uma parceria do IZP com o Núcleo Transdisciplinar de Artes Cênicas e Espetaculares (NACE), da UFAL.“Rojo” é o resultado de uma investigação das obras de Frida Kahlo e da filmografia completa de Pedro Almodóvar. A ideia do espetáculo é mostrar que a compreensão do mundo através da arte acontece não só por meio de uma leitura visual, auditiva ou tátil, mas de sinestesias. 

Arte de Frida Kahlo inspira cena de Rojo - Foto de Divulgação

A peça é baseada no Teatro Pós-Dramático, os ingressos são limitados em 30 unidades e a entrada é um tomate maduro.

Você pode ler este texto também em: 
Agência Alagoas - http://migre.me/5By8d
Site do IZP - http://migre.me/5Bycp

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Rojo - Divulgação

Espetáculo “Rojo” volta em cartaz no Linda Mascarenhas


Audrey Trevas, com Joelle Malta


O Espaço Cultural Linda Mascarenhas será novamente palco de mais uma temporada do espetáculo “Rojo”, que tem direção de Jonatha de Albuquerque Vieira e Nara Salles. A peça entra em cartaz nos dias 3 e 10 de setembro, às 20h. A iniciativa é uma parceria do Instituto Zumbi dos Palmares (IZP), por meio do Projeto Linda de Teatro e do Núcleo Transdisciplinar de Artes Cênicas e Espetaculares (NACE), da UFAL.
 “Rojo” é o resultado de uma investigação das obras de Frida Kahlo e da filmografia completa de Pedro Almodóvar. A idéia é mostrar que a compreensão do mundo através da arte acontece não só por meio de uma leitura visual, auditiva ou tátil, mas de sinestesias.

Rojo: espetáculo do Coletivo Vermelho de Teatro - Foto de Divulgação

 “A sensualidade e a sexualidade são temáticas recorrentes nas vidas e nas obras de Kahlo e Almodóvar, assim houve uma preocupação em como expor essas características na cena. O caminho que escolhemos foi trabalhar de maneira implícita e explícita, nos figurinos com a utilização de decotes, transparências, lingeries e o corpo nu na cena,” afirma Nara Salles, orientadora do NACE.
Na encenação, estão mesclados o teatro, a dança, a música, as artes visuais, e o cinema, com ênfase especial nestas duas últimas linguagens. Baseado no Teatro de Processo Colaborativo, é importante frisar que o público tem voz ativa no momento que desejarem. Os ingressos são limitados – apenas 30 estarão disponíveis – e, para adquirir, é necessário chegar mais cedo ao local. A entrada é um tomate maduro.


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Palavra Mínima: Jan Cláudio e Eduardo Proffa - Divulgação


Palavra Mínima tem ingressos esgotados para ver Jan Cláudio e Eduardo Proffa



Diogo Braz, com release da Comusa


O Projeto Palavra Mínima volta a acontecer nesta sexta (02/09), trazendo com primor sua proposta de unir música e poesia no palco do Espaço Cultural Linda Mascarenhas. Realizado pelo Instituto Zumbi dos Palmares (IZP) e pela Cooperativa dos Profissionais de Música de Alagoas (COMUSA), o Palavra Mínima trará, nesta edição, a música de Jan Cláudio interagindo com a poesia de Eduardo Proffa.

Jan Cláudio e Eduardo Proffa - Foto: Divulgação

Os ingressos para esta terceira edição do projeto estão esgotados, demonstrando o sucesso da empreitada, que vem movimentando o Espaço Linda Mascarenhas com muita música e poesia genuinamente alagoanas. Para atender ao público que não conseguiu ingresso, IZP e Comusa realizarão uma sessão extra do show de Jan Cláudio e Eduardo Proffa no dia 09/09/2011, também às 20hs.

Jan Cláudio

Nascido em Girau do Ponciano, Jan Cláudio teve contato com a música desde cedo: seu pai era músico e fez com que o jovem despertasse o interesse pelo universo do som. Aos 17 anos começou a tocar violão e mais tarde entrou para o grupo vocal “Nó na Garganta”, onde aperfeiçoou sua técnica para cantar. Participou de diversos festivais, inclusive do Festival de Música do IZP.
No show da próxima sexta, Jan Cláudio pretende mostrar seu trabalho de criação musical em um formato acústico, enfocando sua obra autoral, com aspecto estético de Música Popular Brasileira. Para acompanhar o cantor, um time seleto de músicos formado por Nana Villa Lobos (Direção Musical, violões), Mizael Dantas (baixo), Christiaan Klaus (teclado) e Wilson Miranda (percussão), além da participação especial da cantora Irina Costa. No repertório, Jan promete mostrar inclusive composições em parceria com Eduardo Proffa.

Eduardo Proffa

Apesar de nascido em São Paulo, o poeta Eduardo Proffa chegou a Maceió com apenas 5 anos e desde lá adotou Maceió também como sua cidade. Com uma trajetória que se confunde com a música, Eduardo integrou diversos grupos musicais como o “Diário de bordo”, “Novo Tempo” e “Nó na Garganta”, do qual Jan Cláudio também fez parte. Compositor e poeta, Eduardo é uma prova viva de que música e poesia são linguagens irmãs no fazer artístico.
Proffa é também professor de Educação Física e Blogueiro ativo. Criador da Revista Eletrônica “A Villa Caeté em Revista”, autor do “Manifesto Antropofágico Cultural Alagoano” e autor do livro de poesia “Ecos da Cidade”. Eduardo é também membro da Academia Maceioense de Letras e da Academia de Letras e Artes do Nordeste.

Palavra Mínima

O projeto Palavra Mínima tem o objetivo de criar mais um espaço para veiculação da arte produzida em Alagoas. Trata-se de um empreendimento cultural consistente na produção de espetáculos a acontecerem no Espaço Cultural Linda Mascarenhas. A finalidade é integrar a música e a literatura, contando com a presença de um escritor participando ativamente do espetáculo musical, lendo seus próprios textos. Por ser um espetáculo musical impregnado de literatura, apresenta o desafio de proporcionar a sintonia entre a palavra cantada, a música dos compositores e intérpretes e os textos dos diversos autores alagoanos, buscando, assim, unir duas expressões, como produção única. 


Você também pode ler este texto em:
Site do IZP - http://migre.me/5BydB

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Oficina de Grafite com o Estúdio Reca

Oficina do Estúdio Reca traz o grafite para o Linda Mascarenhas

Diogo Braz
Fotos de Lays Peixoto, exceto foto de divulgação d'Os Gêmeos

Viver em um meio urbano hoje em dia parece requerer um adestramento dos olhos, para que esses se acostumem a um certo caos visual. Talvez seja o ritmo acelerado com o qual as cidades crescem projetando suas estruturas de concreto em direção ao céu, modificando a paisagem natural, outrora verde. Talvez sejam as vitrines e os outdoors, que tentam escandalosamente chamar a atenção para suas ofertas; ou quem sabe sejam as luzes vermelhas das lanternas dos carros num engarrafamento, como se fossem vaga-lumes irritados. Há um layout confuso em toda cidade, típico, que acaba influenciando a relação de moradores com sua urbe; um caos estético, muitas vezes chamado de poluição visual, que se apresenta como a tela ideal para que jovens artistas desenvolvam o grafite: uma expressão artística, uma intervenção urbana, em desenhos ou inscrições pintadas em muros, em prédios, em pontes... Na cidade!
Obra dos grafiteiros "Os gêmeos" interagindo com a cidade - Foto: divulgação
O grafite é arte e não vandalismo, como alguns possam pensar. Marginalizado, em sociedades que preferem enxergar os traços coloridos de spray como depredação de patrimônio, o grafite ainda é uma expressão tímida em Maceió. Pensando em reverter esse quadro e esclarecer a população, os designers gráficos Daniel Melro, Rafaela Calheiros e Vamberg Nunes, do Estúdio Reca, promoveram uma oficina sobre grafite para estudantes da rede pública estadual de Alagoas no Espaço Cultural Linda Mascarenhas.

Estúdio Reca: Rafaela Calheiros, Vamberg Nunes e Daniel Melro
A ideia da oficina surgiu quando o Reca ajudou na realização de uma oficina com o grafiteiro paulista Tatu na Barra de São Miguel. A partir daí, os jovens alagoanos pensaram em compartilhar o conhecimento que adquiriram na prática e com o experiente Tatu. “No estúdio a gente trabalha com muita coisa, desde ilustração, sinalização, a embalagem; e a área do grafite é uma área meio que alternativa, experimental, que a gente curte muito fazer: Inclusive tem um grafite nosso aqui no estacionamento da TVE. Já as oficinas são esporádicas. Com a vinda do Tatu, a gente pode aprender um pouco com ele e agora estamos aqui repassando pro pessoal”, explicou Rafaela.

Antes de partir para a prática, alunos descobrem a história do grafite
Primeiramente, os oficineiros explicaram para os alunos da rede estadual o que era o grafite, seu surgimento, suas características como arte, seus maiores expoentes, a utilidade social do grafite e como essa arte pode interagir com a cidade e seus moradores. Um dos principais pontos debatidos foi sobre a diferença entre o grafite e a pichação. “O grafite é uma manifestação mais elaborada, é mais ou menos passar a arte para o muro, e a pichação não. A pichação é mais pro pessoal que vai falar do time ou fazer uma crítica ao governo, e é proibida... Pra algumas pessoas a pichação não é considerada vandalismo, mas pro governo é, por isso que ela é considerada crime. O grafite já é algo mais artístico”, explica Vamberg.

Alunos atentos à explicação de Daniel
Talvez a maior diferença seja porque o grafiteiro quer interagir com a cidade, não no sentido de sujar um monumento ou destruir a beleza de algo. O grafite quer presentear a cidade com uma obra de arte, que, num pedaço harmonioso de muro, faça seus olhos descansarem do turbilhão de informações visuais da cidade. Para entender isso, basta ver o sorriso orgulhoso com o qual Daniel, o grafiteiro do Reca, fala sobre sua relação com artes urbanas. “Eu sou meio viciado em arte urbana. Desde a época do colégio, eu sempre vivia desenhando durante as aulas. Então dei continuidade nessa parte artística, entrei na área do design gráfico, que tem muito contato com a arte, até que a gente montou o Reca e hoje podemos trabalhar com muitas coisas, com o grafite, por exemplo. Isso é muito gratificante”, comemora.

Rafaela ajuda alunos a deixarem sua arte no muro
Os estudantes aproveitaram bem a troca de conhecimento da oficina. Para Vander Melo, o grafite pode ser uma opção de profissão no futuro. “Eu achei a oficina muito boa. Já tinha treinado um pouco antes, vim pra oficina pra ter um conhecimento maior e poder praticar um pouco. Agora é só procurar um local bom, conseguir uma autorização e grafitar. Ter o grafite como uma profissão seria muito bom, mas quem sabe... talvez pode ser outra área de design”.

Resultado final

Ainda são poucos os grafiteiros em Maceió. Em suas oficinas e no dia a dia de trabalho, o Estúdio Reca vem tentando fazer com que essa manifestação artística tão ligada aos meios urbanos saia da marginalidade e possa virar até uma alternativa profissional para diversos jovens talentosos. A julgar pelo resultado final da oficina, grafitado na parede do jardim do Espaço Linda Mascarenhas, os participantes da oficina se saíram muito bem. Quem sabe esses jovens escutem algum dia a famosa canção Aquarela, de Toquinho e Vinicius de Moraes, e imaginem em um muro qualquer grafitar um sol amarelo.

Nem precisa de legenda...

Conheça mais sobre o Reca: http://reca.com.br/blog/
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Site do IZP - http://migre.me/5Bym1

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Tributo a Michael Jackson - Divulgação

Fãs alagoanos de Michael Jackson prestam tributo ao ídolo Pop

Diogo Braz

Um fenômeno internacional da música pode ser reconhecido pela legião de fãs que consegue arrecadar pelo mundo durante sua carreira. No caso do cantor estadunidense Michael Jackson, a dedicação  dos fãs é algo que não cessou com a morte do astro, pelo contrário, a atenção recente em torno do mito fez com que ele conquistasse novos admiradores.

Cover de Michael Jackson - Foto de Divulgação

No mesmo clima de homenagens que acontecem ao redor do globo, o Michael Jackson Fã Club Maceió vai prestar o seu terceiro tributo a Michael Jackson, este sábado (27), no Espaço Linda Mascarenhas. Marcado para começar às 15hs, o evento, que é realizado pelo fã clube e conta com o apoio cultural do Instituto Zumbi dos Palmares, promete uma programação recheada de atrações, como: concursos de dança, caracterização e interpretação; Show com a banda Sometime, apresentação de cover de Michael Jackson; exposição; Quizz e sorteio de brindes.
De acordo com a presidente do fã clube, Amanda Lima, “o evento visa a interação dos fãs do astro para que possam trocar idéias, passar uma tarde agradável e comemorar o aniversário de nascimento de Michael, que será no dia  29/08”. Com certeza, é a oportunidade ideal para conhecer outros admiradores do falecido Rei do Pop e “trocar figurinhas” sobre o ídolo.

Este texto também pode ser lido em:
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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Prévia do Festival Lab

Domingo memorável para a cena Indie maceioense

Diogo Braz

Quem esteve no Espaço Linda Mascarenhas durante a prévia do Festival Lab descobriu uma fórmula simples e eficaz para transformar o domingo no melhor dia da semana: pessoas interessantes reunidas para curtir boa música a todo volume. Nada lembrava o enfadonho clima de final de tarde dominical, a não ser o pouco movimento de carros na Avenida Fernandes Lima. No hall do Espaço Linda, as projeções de vídeo na parede adiantavam um pouco do que seria mostrado no palco: jovens em camisas xadrez, guitarras em punho, as peles de bateria sendo “espancadas” como numa avalanche e pessoas – muitas pessoas – dançando! Toda aquela energia rebelde que no início dos anos 2000 era transformada em belas canções amarguradas e tristes de Indie Rock parece estar dando espaço para uma música alegre, de ritmo dançante que mostra que a vida também pode ser uma festa.

Hall do Linda Mascarenhas no clima Indie

Lab: Desenhando uma cena para a cidade

O Lab é um festival maceioense de “música contemporânea” que chega a sua terceira edição este ano, começando a firmar seu nome com uma reputação impecável dentro e fora do estado. O sucesso da empreitada é fruto de trabalho dos produtores Victor Almeida e Vanessa Mota, e de uma escolha sempre certeira de line up, com atrações que, nem sempre são a ponta do iceberg, mas que apontam a tendência sonora daquele momento específico, aproveitando para aquecer a nossa cena musical. “Embora não tenha tanta tradição quanto outros festivais aqui do Nordeste, esse é um trabalho que a gente vem fazendo aos poucos – assim como o pessoal do Festival Maionese – e a gente vê que esse trabalho de formiguinha está fazendo mudar alguma coisa aqui em Alagoas”, comemora Victor.

Holger botando o público de pé
Este ano a novidade do Lab é que o evento contou com uma prévia à altura do festival, com atrações ideais para esquentar o clima festivo para o próximo dia 27 (data marcada para a terceira edição do Lab). “A gente tentou expandir um pouco a ideia do festival e fazer do Lab um evento que tivesse um calendário mais extenso, e a gente pensou em fazer uma espécie de aquecimento, para agregar mais bandas e mais coisas”, explicou o produtor. Para Luiz Roberto Farias, membro do Coletivo Popfuzz, que também atua nessa construção da cena musical da cidade, “hoje em dia, junto do Maionese, O Lab é o evento que se preocupa em realmente mostrar musica autoral aqui em Maceió, um dos poucos que não tem interesse simplesmente comercial e tem uma preocupação estética com a música”, avalia.

Banquinha Popfuzz e os produtos da Cultura Indie


My Midi Valentine: 8-bit catártico made in Arapiraca


Marcos, Tales e seus apetrechos eletrônicos

Inaugurando a prévia do Lab, subiu ao palco do Linda Mascarenhas o My Midi Valentine. Formado por Marcos Cajueiro e Tales Maia, o duo arapiraquense executou com destreza sua proposta de levar aos palcos uma sonoridade pautada no som 8-bit de sintetizadores e videogames oitentistas. A parafernália instrumental no palco construía aquele ar sempre inusitado das apresentações dos dois músicos, que revezavam os instrumentos entre e durante as canções. Bem à vontade, Marcos e Tales brincavam com a plateia, interagindo com o público enquanto calibravam seus apetrechos eletrônicos. A presença espontânea deles não deixou que pequenos problemas técnicos estragassem a apresentação, ao contrário, os músicos souberam transformá-las num elemento positivo, como quando Marcos, no final do show, quebrou o teclado do computador que insistia em falhar, fazendo com que a cena entre na história da banda como o seu final mais catártico de uma apresentação.

My Midi Valentine apresentando material do novo disco

O show teve foco no repertório do disco que o My Midi Valentine deve lançar ainda este ano. “A gente tocou basicamente só músicas do CD novo, pra testar mesmo, ver como ele ia funcionar. É o nosso primeiro trabalho assim com mais músicas, são quinze faixas, e nós estamos na pressão agora pra finalizar os detalhes e poder lançar ele logo”, anuncia Marcos Cajueiro. Seu companheiro de banda, Tales Maia também avaliou a apresentação como uma boa oportunidade para testar o novo material. “Houve uns problemas técnicos, mas foi massa! A gente teve pouco tempo pra ensaiar, pra transpor o que a gente fez no disco pra o palco. Ainda estamos acertando isso pra ficar cada vez melhor. Mas foi um show legal pra ver como é que tudo fica ao vivo”, avaliou.

Team Radio: Post-Rock em performance intimista


Team Radio e o show mais intimista da noite

Depois dos arapiraquenses, foi a vez da banda recifense Team Radio, que mostrou sua música com ênfase instrumental de influências Post-Rock, com destaque para as guitarras distorcidas e cheias de efeitos. A banda fez bonito, num show cheio de ambiências sonoras. Formada por Roberto Kramer (guitarra), André Maranhão (baixo), Arthur Bonfá (bateria), Marina Silva (voz e teclado), Thiago Gadelha (guitarra), o grupo já havia se apresentado em Maceió no Festival Maionese deste ano e agradou o público maceioense, com um show de performance mais intimista. “As duas vezes que a gente veio aqui foram em eventos que foram um sucesso, então que continue assim. Basta chamar que a gente virá mais vezes a Maceió”, avisa Roberto Kramer. Já habituados com o circuito dos festivais, a banda avalia a participação em eventos como a prévia do Lab. “Quando você toca em festivais é tudo mais corrido do que quando você faz um show seu, mas o clima dos festivais é muito mais empolgante”, explicou o guitarrista. A Team Radio também se prepara para lançar material novo, um EP com cinco faixas instrumentais, que deve sair em outubro deste ano numa parceria entre o selo paulista Sinewave e o selo alagoano Popfuzz.

Som com destaque para as guitarras

Holger: energia contagiante num show impecável

Holger fez bonito em sua primeira vez em Maceió
A terceira e última atração da noite era a aguardada banda paulistana Holger, que já encantou meio mundo com seu som descrito como uma mistura de Axé, Música eletrônica e Indie Rock. Formada por Pepe, Rolla, Pata, Tché e Arthur, a banda, que já participou de importantes festivais de música independente do mundo, como o South By Southwest (EUA) e Pop Montreal (Canadá), aterrissou em terras alagoanas para fazer um show impecável, com energia e espontaneidade que fizeram suas canções soarem ainda melhores que no disco, contagiando toda a plateia, que dançou como se o teatro tivesse se transformado numa grande boate. “Toda primeira vez que a gente toca em uma cidade é muito empolgante, e a gente costuma dar uma força extra, porque é quando a gente começa a formar um público na cidade. Se, de duzentas pessoas, duas gostarem, da próxima vez elas vão levar duas amigas e assim vai crescendo”, explicou Pepe. O clima antes do show demonstrava bem a empolgação da banda: “Realmente, a gente quer dar a melhor noite que a gente possa dar pra Maceió, a gente quer ser lembrado aqui, quer uma escultura nossa...”, antecipava o espirituoso Pata.

O dia em que o Espaço Linda virou uma boate

Com certeza, quem presenciou o show irá guardá-lo na memória por um bom tempo. No palco, o Holger não obedece a um padrão de formação, todos os músicos tocam praticamente todos os instrumentos e se revezam a toda hora, dando uma dinâmica interessante ao show. A percussão é um ponto forte das canções da banda, é um som que suscita a dança, próprio para festas e celebrações. Elétricos e carismáticos, os cinco integrantes conseguiram estabelecer uma sintonia com o público logo na primeira canção. “Achei a prévia do Lab genial. Os meninos da Holger são ótimos no palco, criativos, interativos... E gostei do line up da noite por trazer, digamos assim, um representante da cena independente local, regional e nacional”, avaliou a jornalista Suzana Gonçalves, que estava presente.

Bom humor e revezamento de instrumentos no palco

O Lab e os frutos de um domingo de boa música

Para Pata, do Holger, festivais como o Lab ajudam na construção da cena musical do Brasil. “Em várias cidades, pessoas que começaram a fazer festival e esse festival trouxe mais público, começaram mais bandas... é todo um ciclo. A gente conhece pouco de Maceió, mas a gente vê o Lab se encaixando exatamente nisso, na criação de uma cena, e a gente se sente honrado e feliz de participar dessa criação e apoiar isso”, analisa.

Público aprovou a prévia do Lab

A prévia do Lab foi uma empreitada exitosa. De volta ao Espaço Linda Mascarenhas, onde aconteceu a primeira edição do festival, o Lab ganhou gás para sua terceira edição, que acontecerá no próximo sábado, dia 27 de agosto, no Armazém Uzina, a partir das 21hs. “O Linda foi a primeira casa do Lab, e a gente está nessa nostalgia, de estar voltando um pouco às origens, agora num show com outra proposta. É um prazer fazer essa prévia aqui. No dia 27 a gente vai ter show da Hoping to Colide With, de São Paulo, Herod Layne, também de São Paulo, Constantina, de Minas Gerais, e o show do Wado (de Alagoas), completando 10 anos”. Se a prévia do Lab foi assim, então é bom se preparar para mais uma noite memorável de boa música.

* Fotos de Diogo Braz

Para conhecer mais: